O mercado de escritórios em São Paulo vive um momento de recuperação, e isso pode gerar oportunidades para investidores em fundos imobiliários. É o que indica o mais recente relatório divulgado pela equipe do Santander Equity Research, que analisa a evolução da ocupação e dos preços de locação em escritórios de alto padrão na cidade.
Segundo a equipe do banco, “o primeiro grande desafio do segmento, que era elevar a ocupação, vem sendo superado, especialmente nos ativos com padrão técnico elevado e localizações estratégicas”.
Ocupação de escritórios em alta
De acordo com dados citados pelo Santander, a taxa de ocupação dos escritórios classificados como A/AA+ avançou de 77% no terceiro trimestre de 2022 para 87% no terceiro trimestre de 2025. O relatório aponta que, nos últimos anos, proprietários recorreram a descontos, períodos de carência e investimentos nos empreendimentos para atrair locatários e reduzir custos de vacância, como condomínio e IPTU.
“A melhora na ocupação reflete a combinação de fatores como localização estratégica, infraestrutura moderna e a retomada gradual das atividades corporativas”, destaca o documento do banco. Entre as regiões que mais se destacaram estão Faria Lima, JK, Pinheiros e Vila Olímpia. A Chucri Zaidan, segundo o estudo, teve a evolução mais expressiva, passando de 66% para 85% de ocupação no período analisado.
Preços de locação e valorização
A equipe de Research observa ainda que os preços de locação reagiram à maior ocupação. O aluguel médio dos escritórios A/AA+ passou de R$ 101,10 por metro quadrado no terceiro trimestre de 2022 para R$ 142,63 no mesmo período de 2025, crescimento médio anual de 12,4%.
Além disso, ressalta que, apesar do aumento, a demanda por imóveis bem localizados continua pressionando os preços de locação para cima.
Impacto nos fundos imobiliários
O relatório destaca que o movimento de recuperação já começa a impactar o mercado de fundos imobiliários. O segmento de lajes corporativas reúne ao menos 37 FIIs listados em bolsa, com valor de mercado aproximado de R$ 15 bilhões e valor patrimonial de R$ 22 bilhões.
O estudo aponta que, após períodos de volatilidade causados pela pandemia e pelas oscilações das taxas de juros, a melhora na ocupação e nos aluguéis abre espaço para valorização das cotas.
Entre os fundos que tiveram recomendação elevada para compra estão Pátria Escritórios (HGRE11) e Rio Bravo Renda Corporativa (RCRB11), além de Kinea Oportunidades Real Estate (KORE11) e Tellus Properties (TEPP11). Segundo o Santander Equity Research, esses fundos apresentam portfólios com alta ocupação, contratos de longo prazo e gestão experiente, fatores que sustentam o potencial de valorização.
Perspectivas para 2026
O Santander Research conclui que o segmento de escritórios deve se beneficiar da perspectiva de queda das taxas de juros em 2026, o que pode ampliar ainda mais a atratividade dos fundos imobiliários voltados para lajes corporativas.
“A recuperação dos escritórios é consistente, e os investidores que aproveitarem o momento podem ter ganhos de capital relevantes”, afirma o relatório.






