O CEO da EQI Investimentos, Juliano Custódio, avalia que, à medida que um escritório de agentes autônomos vá crescendo, é imperativo que se torne uma corretora. Isto porque a partir de um determinado patamar de lucros, passa para o modelo tributário de lucro real.
De acordo com matéria do jornal Valor Econômico, Custódio afirmou que quando o faturamento atinge um valor elevado, é preciso mudar de modelo de imposto.
“Quando começa a faturar R$ 72 milhões, R$ 76 milhões por ano, é obrigado a virar corretora, não tem saída”, disse.
Ele adiantou que, assim que a corretora da EQI estiver operacional, os clientes passarão para a nova empresa. Explicou ainda que começa com uma estrutura “White label” do BTG (BPAC11), e ao longo do tempo vai amadurecendo a própria estrutura. Pelo acordo, o BTG terá 49,9% de participação na corretora.
Juliano Custódio, da EQI: em tempos difíceis, renda fixa é mais atrativa
O CEO do escritório também disse que os profissionais precisam focar em ampliar seu portfólio de atuação. Disse que aqueles que atuam somente em bolsa passam por momentos de grande venda de ações. Por isso, afirmou que a renda fixa é uma boa opção.
Inclusive afirmou que, quando bem trabalhada, é capaz de dar retornos maiores do que a renda variável, independente do cenário e conjuntura do país.
Quem é Juliano Custodio?
Com quase R$ 12 bilhões sob custódia, a caminho de operar como corretora e com 10 escritórios pelo país, a EQI Investimentos já é um case de sucesso. O que muita gente não sabe é que esta história começou há um bom tempo, pelas mãos de Juliano Custodio.
Engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal do Rio Grande Sul, Custodio trabalhava no mercado financeiro e decidiu dar uma guinada na carreira.
Primeiro, ele criou um blog e começou a publicar vídeos no Youtube para ensinar as pessoas a investir. “Numa época em que nem era moda ser youtuber, eu já era um”, contou à jornalista Fabiana Panachão, no podcast Me Fala de Você?
“Meu primeiro vídeo no Youtube teve 20 visualizações, o segundo teve 50, o terceiro teve 100. Escrevia um texto por dia e publicava dois vídeos por semana”, revelou.
A simplicidade com que explicava conceitos complexos e a disciplina que se impôs para ampliar seu público fizeram com que Juliano Custodio, aos poucos, se tornasse referência em investimentos. Além disso, foi por esses canais que ele conquistou os primeiros clientes.
Hoje, ele é sócio e CEO da EQI Investimentos, empresa que, desde julho de 2020, é ligada ao BTG Pactual (BPAC11), o maior banco de investimentos da América Latina e uma das principais instituições financeiras brasileiras.
Como tudo começou?
Aos 18 anos de idade, Juliano Custodio realizou o sonho do pai ao passar em um concurso para trabalhar no banco Banrisul. Antes mesmo de receber o primeiro salário, já fazia planos de comprar um carro e um apartamento. Até que recebeu o telefonema de um tio, um empresário que, naquela época, era sua referência mais próxima de “pessoa rica”.
Na conversa, o tio não demonstrou tanto entusiasmo com a nova carreira do sobrinho. Falou das dificuldades que Juliano teria, como funcionário público, para garantir uma boa aposentadoria e acumular patrimônio. Mas disse que poderia ajudá-lo mesmo assim. Levou de presente para o novo auxiliar de mesa de operações do Banrisul uma calculadora HP e o livro “Pai Rico, Pai Pobre”. “Isso mudou a minha vida”, lembra Juliano.
Naquela calculadora, os dois simularam quanto seria necessário guardar por mês, a partir dos 18 anos, para chegar aos 53 com um patrimônio de R$ 13 milhões. Com isso, teria uma renda mensal de R$ 206 mil.
Essa conta simples que, ingenuamente, não considerava as perdas com inflação, mostrou a Juliano que seria necessário guardar R$ 350 por mês a partir daquele momento. “Fui o último dos meus amigos a comprar um carro. Aprendi que era preciso postergar as decisões, postergar os meus desejos, para conseguir poupar”, diz. “Quanto mais você postergar, mais liberdade financeira terá.”
Juliano descobriu mais tarde que, por conta da inflação, ao guardar essa quantia por mês, não alcançaria sua meta. Ele chegaria aos 53 com patrimônio de R$ 1,5 milhão. E além disso, sua renda não seria de R$ 206 mil, mas de “apenas” R$ 13 mil.
O presente e o empurrão do tio o levaram a estudar sobre investimentos.
Mercado financeiro
Em 2003, Juliano Custodio já tinha largado o emprego público e começou a trabalhar como agente autônomo da XP Investimentos. Para alcançar mais clientes sem ter que sair da cidade que escolheu para viver, Balneário Camboriú (SC), ele partiu para o universo sem barreiras da internet. O blog euqueroinvestir.com foi um divisor de águas em sua trajetória.
“Eu queria fazer um negócio que fizesse bem para mim e para as pessoas. Nesse momento, resolvi fazer um blog sobre finanças. Comecei escrevendo sobre as diferenças dos investimentos de renda fixa, pois pouca gente entendia sobre isso”, conta. “Desde o início, queria que esse conteúdo fosse gratuito. Esse seria um diferencial que atrairia muitas pessoas para o blog.”
Foi o que aconteceu. E Juliano teve que deixar a gestão das redes sociais para conduzir a empresa e fazê-la crescer. “Já são milhares de pessoas no Brasil inteiro que passaram a ter mais dinheiro e oportunidade de se aposentar melhor. Esse é o grande negócio.”
Em junho de 2017, a EQI incorporou os escritórios da Clamber Investimentos, de Florianópolis, e da AKF Investimentos, de Joinville. Juntos, eles tornaram a EQI o maior escritório de agentes autônomos da XP Investimentos no País em 2020.
A experiência adquirida na troca de ideias com os profissionais de uma das maiores agências de investimentos do País deu ao executivo a certeza de que o caminho traçado estava certo. No entanto, ainda havia sonhos a serem alcançados.
E foi um destes sonhos – o de transformar sua empresa em uma corretora – que colocou a EQI Investimentos no centro de uma verdadeira “briga de titãs” entre a XP e o BTG Pactual.
O negócio com o BTG
De acordo com Juliano Custodio, a decisão de trocar a velha parceira pelo banco BTG não foi precipitada ou impensada. “Eu não queria simplesmente sair da XP e ir para o BTG”, conta. “Tentamos conversar com a XP para dar o próximo passo, mas ela não se mostrou interessada em transformar a gente em uma corretora de valores para que pudéssemos ter nossa independência.”
Essa proposta acabou vindo do BTG, que vai se tornar sócio da EQI em uma corretora. “É uma grande união: a união do maior banco de investimentos da América Latina com a gente, que sabe bem educar e ajudar as pessoas a investir”, diz Juliano.
Outra meta da EQI é abrir o capital na bolsa de valores no prazo de até 5 anos.






