A Rodovias do Tietê (RDVT11), em recuperação judicial, informou que os debenturistas foram contrários a compra de 100% do capital da empresa pela Latache Capital.
Em junho deste ano, a AB Concessões, acionista com 50% das ações da Rodovias Tietê, havia formalizado o direito de venda conjunta previsto em acordo dos acionistas. Assim, a Latache Capital, dona da portuguesa Lineas, que detinha 50% do controle da Rodovias do Tietê, compraria a parte e passaria a deter 100% do controle da empresa.
A Latache investe em ativos de empresas em dificuldades e comprou, em 12 de maio, a portuguesa Lineas, que detinha 50% do controle da Rodovias do Tietê. A partir daí, a AB Concessões, dona da outra metade da Rodovias, tinha prazo de 30 dias para decidir se vendia ou não.
“Informamos que prosseguiremos com a implementação da venda direta das ações de emissão da Tietê detidas por AB Concessões, em conformidade com o acordo de acionistas”, disse a empresa em nota na época.
Prejuízo recorrente
Cercada por grandes rodovias no interior paulista, a Rodovias Tietê, embora sadia operacionalmente (fluxo de caixa positivo), não tem se mostrado rentável para atender a expectativa de seus investidores.
O gestor da Journey, Fabiano Saragiotto comenta que a RDVT11, depois de amargar a recessão do período Dilma e a greve dos caminhoneiros, não ‘decolou’ como esperado pelos acionistas.
A Rodovias do Tietê registrou um prejuízo de R$ 64,73 milhões no terceiro trimestre deste ano.
Um ano antes, o prejuízo da Companhia foi de R$ 56,42 milhões.
As despesas operacionais somaram R$ 8,8 milhões no período, um aumento de 261% em relação ao segundo trimestre de 2019.
Mesmo assim, a empresa consegue gerar um caixa de R$ 150 milhões por ano, cifra insuficiente, porém, para arcar com juros e principal da dívida, menos ainda para cumprir as obrigações de investimento junto à Artesp, previstas nos termos da concessão.
“Então é preciso uma reformulação na estrutura de capital, sim, mas partindo do princípio de que a empresa é superavitária de caixa, é preciso adequar o passivo econômico e financeiro para esse potencial de geração de caixa”, analisa Saragiotto.
O gestor conclui, ainda, que “existem gargalos que precisam ser desobstruídos”.
Rodovias
A Concessionária Rodovias do Tietê assinou em 2009, junto ao Governo do Estado de São Paulo, o contrato de concessão de 30 anos para administrar o corredor leste da Rodovia Marechal Rondon. São 415 quilômetros de rodovias e acessos. A concessionária pagou, em 18 meses, R$ 542 milhões a títulos de outorga fixa.
O trecho concedido inclui a SP-101 (Rodovia Jornalista Francisco Aguirre Proença), SP-113 (Rodovia Dr. João José Rodrigues), SP-308 (Rodovia Comendador Mário Dedini), SP-300 (Rodovia Marechal Rondon), SP-209 (Rodovia Prof. João Hipólito Martins) e SPI-162/308 (Contorno de Piracicaba- Rodovia Ernesto Paterniani) interligando 25 municípios do interior do Estado de São Paulo.
Durante o período de concessão, espera-se oi investimento de mais de R$ 1,3 bilhão na duplicação de mais de 90 quilômetros de vias, construção de 73 quilômetros de vias marginais, 87 quilômetros de faixas adicionais, 148 quilômetros de acostamentos e 24 passarelas. Entre as principais obras estão as duplicações das rodovias SP-101 e SP-308 e a construção dos Contornos de Piracicaba e de Maristela.

Tráfego cai quase 17%
Nos nove meses de 2020 houve uma redução de 16,99% no tráfego de veículos, quando comparado ao mesmo período de 2019.
Já o tráfego de veículos por eixos equivalentes apresentou uma redução de 10,66%, quando comparado a um ano antes.
“Essa redução deve-se a situação macroeconômica do país devido a pandemia COVID-19, e foi agravada também pelo acidente geológico ocorrido em Fevereiro de 2020 na SP-300 próxima a cidade de Botucatu/SP”, disse a Rodovias do Tietê.
O fluxo de veículos de passeio reduziu 21,11%, enquanto comerciais leves teve uma queda de 6,58% e comerciais pesados um leve aumento de 0,34%.






