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Possível impeachment de Trump não se traduz em apoio de republicanos nas ruas

Possível impeachment de Trump não se traduz em apoio de republicanos nas ruas

Possível impeachment de Trump não se traduz em apoio de republicanos nas ruas, ao contrário do que aconteceu com Bill Clinton

É uma aposta arriscada: a campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vê os esforços liderados pela oposição democrata para sujeitá-lo a um impeachment como um grande trunfo na busca do republicano pela reeleição em 2020. Isso porque os analistas da campanha acreditam que apoiadores e insatisfeitos com a política se sentirão motivados a votar nele em novembro.

Segundo matéria publicada pela Reuters, Trump está esperando uma revolta pública como a vista contra o impeachment do presidente democrata Bill Clinton, em 1998. Entretanto, até agora, não foi o que ocorreu, de acordo com dados de uma pesquisa Reuters/Ipsos.

Ao contrário, o inquérito de impeachment da Câmara dos Deputados provocou uma campanha maior entre os democratas para responsabilizar Trump. Uma de suas acusações é de pressionar a Ucrânia a investigar o rival político democrata Joe Biden. As pesquisas realizadas todas as semanas desde 24 de setembro, quando o escândalo ucraniano veio à tona, mostram que só os Democratas se beneficiaram.

Estratégia

Desde que os democratas da Câmara iniciaram o inquérito de impeachment, a campanha de Trump vem enviando tópicos de debate para autoridades do Partido Republicano de todo o país, na tentativa de transformar a crise em alguma vantagem política, segundo assessores e um documento interno da campanha visto pela Reuters.

“Sempre que as pessoas tentam diminuir este presidente legítimo de qualquer maneira, seus eleitores reagem”, disse o gerente da campanha de Trump, Brad Parscale, a repórteres na quinta-feira (12). O modelo adotado pelos republicanos daqui em diante pode ser o impeachment de 1998 contra Clinton.

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À época, o instituto de pesquisa Gallup mostrou que a popularidade de Clinton cresceu em meio à polarização partidária durante os procedimentos da Câmara, chegando a 73% no momento da votação do impeachment.

Clinton também teve o impeachment aprovado na Câmara por mentir sobre um relacionamento sexual que teve com a estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky. O processo por falso testemunho foi arquivado após julgamento no Senado, no início de 1999, e o ex-presidente surgiu mais forte politicamente depois de tudo isso.

Já o índice de aprovação de Trump pairou em torno de 40% o ano inteiro, mudando pouco nos últimos três meses. Não há tendência que mude, por ora.

Câmara x Senado

É praticamente certo que Trump se tornará o terceiro presidente norte-americano a ter um impeachment aprovado na Câmara dos Deputados. Quando o plenário da Casa de maioria democrata votar os artigos de impeachment que o acusam de abusar de seu cargo e de obstruir o inquérito do Congresso a respeito da matéria, ele estará formalmente a caminho do julgamento.

Acontece que esse é um julgamento político e o Senado é controlado pelos Republicanos, que dificilmente votaria pelo afastamento de Trump do cargo.

De qualquer forma, Trump nega qualquer irregularidade e qualificou o inquérito de impeachment como uma farsa.