Após o tombo generalizado entre abril e junho, o Produto Interno Bruto (PIB) das economias globais deve se recuperar a partir do terceiro trimestre.
Na avaliação do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o comportamento mundial deverá ser semelhante ao da China, que sentiu os efeitos da pandemia num primeiro momento, mas se recuperou no trimestre seguinte.
“Deve haver um crescimento das economias no terceiro trimestre, frente ao segundo, que foi o momento mais tenso e agudo da crise”, afirmou, em relação ao impacto da pandemia global do Covid-19.
Segundo ele, após desabar 10% no primeiro trimestre desde ano em relação ao quarto do ano passado, os chineses tiveram uma expansão de 11,5% do PIB, na margem, entre abril e junho.
Dessa forma, apenas China e Índia – esta com alta de 0,7% no segundo trimestre – apresentaram desempenho positivo.
Em seguida, com menores retrações do PIB, no segundo trimestre em relação ao primeiro, vieram Hong Kong (-0,1%), Taiwan (-1,4%), Malta (-2,3%), Finlândia (-3,2%), Coreia do Sul (-3,3%) e Indonésia (-4,2%).
PIB: Brasil
Com uma retração de 9,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre frente ao primeiro, o desempenho brasileiro ficou praticamente em linha com o desempenho global.
Na média global, as economias recuaram 9,9%, enquanto, na média, os países da Zona do Euro tiveram retração de 12,1% do PIB.
Já entre os países do Brics, influenciados por China e Índia, houve expansão média de 0,8% do PIB.
Segundo levantando da Austin Rating, o patamar de queda do PIB na margem deixou o Brasil com a 22ª colocação – entre 44 países – no ranking de desempenho geral.
Veja o desempenho do PIB Global
| Ranking | País | 2ºT x 1ºT | 1ºT x 4ºT | |
| 1º | China | 11,5% | -10,0% | |
| 2º | Índia | 0,7% | 0,1% | |
| 3º | Hong Kong | -0,1% | -5,3% | |
| 4º | Taiwan | -1,4% | -1,0% | |
| 5º | Malta | -2,3% | 1,1% | |
| 6º | Finlândia | -3,2% | -0,9% | |
| 7º | Coréia do Sul | -3,3% | -1,3% | |
| 8º | Indonésia | -4,2% | -2,4% | |
| 9º | Nigéria | -5,0% | -14,3% | |
| 10º | Lituânia | -5,1% | -0,3% | |
| 11º | Noruega | -5,1% | -1,7% | |
| Dinamarca | -7,4% | -2,0% | ||
| 12º | Letônia | -7,5% | -2,9% | |
| 13º | Japão | -7,8% | -0,6% | |
| 14º | Israel | -8,1% | -1,7% | |
| 15º | Suíça | -8,2% | -2,5% | |
| 16º | Eslováquia | -8,3% | -5,2% | |
| 17º | República Tcheca | -8,4% | -3,3% | |
| 18º | Holanda | -8,5% | -1,5% | |
| 19º | Suécia | -8,6% | 0,1% | |
| 20º | Polônia | -8,9% | -0,4% | |
| 21º | Estados Unidos | -9,1% | -5,0% | |
| 22º | Brasil | -9,7% | -2,5% | |
| Alemanha | -9,7% | -2,0% | ||
| Tailândia | -9,7% | -2,5% | ||
| 23º | Bulgária | -9,8% | 0,3% | |
| 24º | Ucrânia | -9,9% | -0,7% | |
| 25º | Áustria | -10,7% | -2,4% | |
| 26º | Turquia | -11,0% | -0,1% | |
| 27º | Canadá | -11,5% | -2,1% | |
| 28º | Chipre | -11,6% | -1,3% | |
| 29º | Bélgica | -12,2% | -3,5% | |
| 30º | Romênia | -12,3% | 0,3% | |
| 31º | Itália | -12,8% | -5,5% | |
| 32º | Cingapura | -13,1% | -3,3% | |
| 33º | Chile | -13,2% | 3,0% | |
| 34º | França | -13,8% | -5,9% | |
| 35º | Portugal | -13,9% | -3,8% | |
| 36º | Hungria | -14,5% | -0,4% | |
| 37º | Colômbia | -14,9% | -2,4% | |
| 38º | Croácia | -15,1% | 0,4% | |
| 39º | Filipinas | -15,2% | -5,1% | |
| 40º | Malásia | -16,5% | -2,0% | |
| 41º | México | -17,3% | -1,2% | |
| 42º | Espanha | -18,5% | -5,2% | |
| 43º | Tunísia | -20,4% | -2,0% | |
| Reino Unido | -20,4% | -2,2% | ||
| 44º | Peru | -27,2% | -6,3% |
Fonte: Elaboração Austin Rating
Queda recorde
A queda recorde do PIB de 9,7% no segundo trimestre mostra integralmente os efeitos da paralisação econômica causada pela pandemia do coronavírus.
Essa é a segunda queda trimestral seguida e o menor resultado para a economia desde o início da série histórica, em 1996.
Na comparação com o segundo trimestre de 2019, a retração foi de 11,4%.
O resultado ficou em linha com as projeções do mercado, que previam retração entre 8% e 9%.
No primeiro semestre do ano, a economia acumulou queda de 5,9%. E no acumulado dos quatro trimestres terminados em junho de 2020, recuou 2,2% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.
De acordo com o IBGE, a economia brasileira está no mesmo patamar do final de 2009, auge dos impactos da crise global provocada pela onda de quebras na economia americana.
Em valores correntes, o PIB somou R$ 1,653 trilhão no segundo trimestre.
Pior já passou
A avaliação geral, porém, é de que o pior já passou. Por exemplo, o Índice dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) industrial do Brasil registrou forte avanço em agosto, confirmando retomada.
Assim, o PMI alcançou 64,7 pontos, ante 58,2 registrado em julho.
Segundo João Pedro Brugger, assessor de investimentos e sócios da EQI Investimentos, a queda, apesar de intensa, já era prevista.
Ele afirma ainda que se mantém otimista quanto aos próximos meses. “A economia está retomando a normalidade e os próximos trimestres serão melhores”, acredita.
A opinião é a mesma de Gustavo Cruz, estrategista da RB investimentos. “Os indicadores e a indústria já vêm sinalizando que o segundo semestre será mais positivo”, diz.
Já Agostini, da Austin, acrescenta, ao comparar o Brasil com outros países, que a crise pode causar impacto econômico menor por aqui.
Conforme ele, o Brasil poderia estar melhor posicionado não fossem problemas de ordem doméstica, como questionamento da política econômica do ministro Paulo Guedes ou lerdeza no avanço das reformas.
Para o economista, a equipe econômica e o Banco Central agiram rápido durante a pandemia, com injeção de liquidez e redução dos juros.
Destaques do PIB
Para Paulo de Souza, assessor de investimento e sócio da EQI Investimentos, o maior destaque do PIB fica por conta do agronegócio, único setor a apresentar crescimento – avançou 0,4% na comparação do primeiro para o segundo trimestre.
“O agronegócio foi o único ponto positivo e vem salvando o PIB nos últimos anos”, diz.
Já a indústria, em sua opinião, vem caindo fortemente, o que preocupa. O setor teve queda histórica de 12,3%.
“Podemos estar passando por um processo perigoso, com indústria ociosa e o dólar em alta, encarecendo matéria prima e maquinário. Então, é bem provável que o agronegócio siga puxando o Brasil”, afirma.
Revisão
Enquanto isso, o UBS melhorou sua expectativa em relação à retração do PIB prevista para este ano.
Conforme relatório, projeção foi revisada de uma queda de 5,5% para retração de 4,5%.
No relatório assinado pelos economistas Tony Volpon e Fabio Ramos, o UBS justifica que o apoio fiscal para implementação do “Coronavoucher” deu suporte para uma recuperação, mais rápida do que a esperada, em “V”.
Dessa forma, o resultado do terceiro trimestre deverá ser “melhor” do que esperado na estimativa anterior.
Tá, e aí?
Para Souza, o resultado do PIB também sinaliza que, dependendo de como a economia se comporte daqui em diante, a Selic pode ser mantida em 2% por um bom tempo. Isto para incentivar o crédito e o consumo no país. E, desta forma, impulsionar o PIB nos próximos meses.
A opinião é a mesma de Brugger, que também aposta em Selic baixa pelo resto do ano, para incentivar o consumo das famílias, que veio baixo.
O consumo das famílias, que representa 65% do PIB, teve queda recorde de 12,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2020.
Para Cruz, da RB investimentos, o impacto poderia ter sido pior, sem as medidas governamentais adotadas. Em sua análise, o auxílio emergencial e o aumento da oferta de crédito foram fundamentais. “Com o tamanho desta crise, a queda poderia ter sido muito maior, como observamos em outros países”, pondera.
(Com Cláudia Zucare Boscoli e Márcia Furlan)
- Aumente seus ganhos. Consulte nossa Planilha de Monitoramento de Carteira






