A queda de 4,1% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, em 2020, divulgada nesta quarta-feira (3) pelo IBGE, foi a terceira pior da história. E a maior desde o tempo da gestão de Fernando Collor de Melo como presidente.
Por trás do tombo, está a pandemia de Covid-19. Mas a vacinação e o retorno do auxílio emergencial são questões que prometem ajudar a melhorar o quadro, segundo especialistas.
Paulo Filipe de Souza, assessor de investimentos e sócio da EQI Investimentos, explica que a queda do PIB já era esperada. E o que mais chamou a atenção foi o recuo do setor de serviços. Este segmento representa 70% da soma das riquezas do país. E foi um dos mais afetados devido ao distanciamento social, que fechou lojas e reduziu a atividade.
Para ele, só há uma saída para a recuperação econômica: a vacinação em massa da população. “Quando o número de pessoas imunizadas aumentar fortemente, haverá uma recuperação mais robusta da economia. Quanto mais pessoas vacinadas, o número de óbitos cai. Consequentemente, a vida começa voltar ao normal e a economia se recupera”, explica. Ele acrescenta que os países que estão conseguindo se recuperar melhor são justamente aqueles em que a vacinação encontra-se mais avançada. É o caso de Israel e dos Estados Unidos.
PIB do Brasil: 21º entre 50 países
Um ranking elaborado pela Austing Rating aponta que o Brasil ficou em 21º lugar entre 50 países pesquisados sobre o desempenho do PIB no ano passado. Israel e Estados Unidos, que têm avançado com a vacinação, ficaram, respectivamente, em 9º lugar (com uma retração de 2,2%) e em 16º lugar (com diminuição de 3,5%) quanto à taxa de crescimento do PIB em 2020. 
Reprodução/Austing Rating
O Reino Unido e a Espanha, dois países bastante afetados pela pandemia ao longo de 2020, ficaram na posição 48 e 49, com queda de 9,9% e 11% do PIB, respectivamente.
A China, onde a pandemia começou, ficou em segundo, com um crescimento de 2% no PIB. No topo da lista, está Taiwan, que teve um aumento de 3,1%.
Uma outra projeção da Austin, esta baseada em valores correntes do PIB, demonstra que é esperado que o Brasil caia para a 14ª colocação entre os 15 maiores PIBs do mundo, caso os efeitos da pandemia persistam. Em 2020, o país ocupou a 12ª colocação. Mantendo esse ritmo, pode ser ultrapassado pela Austrália e pela Espanha.

PIB: retorno do auxílio é importante
Alex Agostini, economista-chefe da Austing Rating, explica que o caminho mais viável para a recuperação econômica é, no momento, o retorno do auxílio emergencial. Isto enquanto a vacinação ampla não vem.
Ele acrescenta ainda que o ritmo de vacinação deve se intensificar no segundo trimestre do ano. E, com isso, os efeitos serão sentidos possivelmente no segundo semestre. Para Agostini o PIB deve alcançar alta de 3,3% até o final do ano.
“O país precisa colocar a casa em ordem em termos fiscais e realizar com mais afinco a austeridade fiscal. Isso ajuda a dar uma transferência de confiança maior aos empresários e consumidores. Isso pode fazer com que o real se valorize frente ao dólar”, completou.






