Pesquisa feita pela Reuters com 43 analistas e economistas prevê que os preços do petróleo terão pouca mudança este ano e um aumento modesto em 2021. Os cortes de produção em vigor e o quadro da demanda ainda incerto devido à pandemia de Covid-19 são os motivos principais.
Segundo a Reuters, o petróleo bruto Brent deve ficar em uma média de US$ 42,75 o barril em 2020.
Isso é acima do consenso de US$ 41,50 aferido em julho e do preço médio de US$ 42,60 até agora neste ano.
Ou seja, é até um ganho.
Espera-se que o Brent tenha uma média maior ano que vem, com US$ 50,45.
Já o WTI para 2020 deve ficar com US$ 38,82 por barril, depois da previsão de US$ 37,51 em julho.
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Queda brusca do preço
Vale lembrar que o Brent começou o ano valendo US$ 66,25 e o WTI, US$ 61,33.
Ou seja, é uma queda de 32,53% e 31,77%, respectivamente.
Em março, ambas as referências chegaram a ficar em valores negativos.
Naquele momento do ano, o preço futuro do petróleo WTI com vencimento em maio fechou cotado de forma negativa pela primeira vez.
A causa foi a perspectiva de baixo consumo e as medidas de isolamento naquela fase da pandemia nos EUA.
Ficar “negativo” significa que os produtores pagariam para se livrar desse óleo.
Eles acabavam com o produto em estoque porque não havia ninguém que precise desse petróleo.
Demanda global por petróleo
A demanda global teve uma contração mais acentuada este ano, fruto direto da baixa atividade econômica e do isolamento social.
O consumo deve ficar entre 8 e 10 milhões de barris por dia (bpd).
Em julho, o consenso era de 7,2 a 8,5 milhões bpd.
Também é uma expectativa de melhora.
“O mercado está procurando um catalisador para sair do buraco recente”, disse à Reuters Harry Tchilinguirian, chefe de pesquisa de commodities do BNP Paribas.
OPEP+
“Do lado da baixa, isso pode ser uma degradação da disciplina da OPEP+, conforme os preços começam a subir, ou um revés econômico mais grave… Do lado da alta, um resultado positivo nos testes de fase III da vacina Covid-19 vai remodelar as expectativas em torno do caminho de uma recuperação econômica global”, analisou.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, a chamada OPEP+, solicitou às nações produtoras de petróleo que estão acima das cotas acordadas a aprofundar os cortes em agosto e setembro.
A política atual prevê um corte de 7,7 milhões bpd.
“A OPEP+ provavelmente apoiará um piso de US$ 40″, disse Jason Gammel, analista da Jefferies.
Mas, para ele, a recuperação da demanda estagnada e as preocupações de uma segunda onda de Covid-19 dificultarão os ganhos de preço”.
“O declínio da produção dos EUA pode ser favorável até o final do ano”, acredita.
A Agência Internacional de Energia cortou este mês sua previsão de demanda para 2020 em 140 mil bpd.
Agora, está em 91,9 milhões bpd.
Com o estrangulamento das viagens aéreas, o consumo previsto em 2021 será ligeiramente menor do que era em 2019.
“O tráfego aéreo provavelmente sofrerá por mais tempo”, disse Norbert Ruecker, da Julius Baer.
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