A Organização Mundial dos Exportadores de Petróleo (Opep) e os aliados retomaram nesta quinta as negociações sobre a política de produção.
A ideia é alcançar rapidamente um consenso sobre como lidar com a demanda para 2021, que deve continuar bem abaixo do normal por conta da pandemia de coronavírus.
As conversas da Opep e dos aliados da Opep+ giram em torno da redução da produção de petróleo de 7,7 milhões de barris por dia até março, pelo menos.
Os representantes de 23 países do grupo, que é composto por alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, marcaram de se reunir nesta quinta-feira.
O impasse da Opep em torno do petróleo
De acordo com reportagem da CNBC, A Arábia Saudita, maior produtora de petróleo do mundo, e líder da Opep, é a principal defensora de manter o nível atual de cortes até o final do primeiro trimestre. No entanto, alguns produtores questionaram esta abordagem após uma recuperação sustentada dos preços do petróleo no mês passado.
Rússia e Cazaquistão estariam a favor de um aumento gradual das restrições à produção, enquanto os Emirados Árabes Unidos têm pressionado ostensivamente por uma estratégia destinada a melhorar a conformidade dos países com excesso de produção.
“Surpreendentemente, desta vez, não foi uma discórdia entre a Rússia e a Arábia Saudita que impediu o grupo de chegar a um acordo claro sobre se deveria atrasar o aumento de produção planejado”, comentou Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, em nota de pesquisa .
“Em vez disso, uma divisão talvez mais perigosa, de uma perspectiva de estabilidade da Opep, surgiu entre a Arábia Saudita e os Estados Unidos da América, dois países do GCC que normalmente falam a uma só voz~, completou.
Segundo Hansen, o fracasso em chegar a um acordo na quinta-feira pode fazer com que os preços do petróleo caiam “em vários dólares”. O chefe de estratégia afirmou ainda que “qualquer coisa que não seja um acordo a adiar seria a OPEP + dar um tiro no próprio pé”.
De acordo com a CNBC, Rússia e nove outros países não pertencentes à Opep têm trabalhado com o grupo de 13 membros para sustentar os preços do petróleo nos últimos anos. Nos últimos meses, a Opep+ procurou navegar seu caminho através de um período historicamente tumultuado, incluindo um colapso sem paralelo nos preços do petróleo, um choque maciço na demanda de combustível em meio à crise do coronavírus, uma guerra de preços saudita-Rússia e a saída do Catar da organização.
“A Opep+ controla quase 50% da produção global”, disse Tamas Varga, analista sênior da PVM Oil Associates, em uma nota de pesquisa na quinta-feira. “Este privilégio, no entanto, vem com um fardo (e) foi revelado esta semana.”
“É muito mais difícil chegar a um acordo com 23 participantes, cujas metas não estão necessariamente alinhadas, do que com 13 países”, continuou ele.
“Apesar das divergências e pontos de vista divergentes, uma coisa parece certa: é do melhor interesse de todos os envolvidos chegar a uma solução mutuamente aceitável – às vezes, escolher a opção menos pior é a única saída”, concluiu.
Cotações desta quinta-feira
Após a divulgação da nova reunião da Opep, as cotações do petróleo nesta quinta-feira apresentaram o seguinte panorama: o tipo WTI, que abriu fechou a quarta-feira cotado a US$ 45,28 o barril, abriu a quinta em baixa, a US$ 44,99, mas, por volta das 16 horas, se recuperou e estava sendo negociado a US$ 45,67 (variação de +0,91%).
O petróleo tipo Brent, por sua vez, fechou o dia anterior em US$ 48,25 o barril, abriu a quinta-feira em baixa, cotado a US$ 47,95 e, por volta das 16h10, estava em US$ 48,74, com alta de 1,02%.