José Ronaldo Souza Júnior, diretor do Ipea, analisou, em entrevista para o site Poder 360, publicada neste sábado (12), o futuro da economia no Brasil.
Na visão do executivo de Estudos e Políticas Macroeconômicas Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a maior contribuição do Executivo federal para acelerar os investimentos é garantir a estabilidade fiscal.
Segundo ele, aumentar a capacidade produtiva exigirá um investimento “muito maior do que o governo conseguiria fazer”.
Por conta disso, para o diretor do Ipea, o “investimento público não é salvação para o Brasil”.
“Para termos de fato um aumento de capital de forma significativa, é necessário um investimento muito maior do que o governo conseguiria fazer. Não adianta, por exemplo a gente ter um aumento muito grande de despesa pública agora. Isso poderia aumentar a incerteza em relação equilíbrio fiscal, o que afastaria ainda mais o investimento privado”, raciocinou.
Ipea cita queda no estoque de capital
O diretor do Ipea ressaltou que os investimentos nos últimos anos foram tão baixos que não conseguiram repor a chamada depreciação do estoque de capital.
“Na comparação de junho de 2020 com o fim de 2016, o estoque de capital caiu 0,92%”, lamentou.
Souza Júnior afirmou que já viu uma recessão semelhante à observada em 2016 no fim do ano passado, e que o problema pode aumentar se o endividamento público crescer.
“Vivemos um momento preocupante de contas públicas, que leva a uma incerteza em relação a investimentos. Então para acelerar os investimentos, é preciso que a gente reduza essa incerteza”.
Como reduzir a incerteza?
Para que isso aconteça, o economista do Ipea enumerou alguns pontos que podem tornar o cenário mais atrativo aos investidores.
- Gasto público: “Contas públicas sustentáveis ao longo do tempo. Essa é a prioridade mais urgente que temos”;
- Expectativa de retorno: “Temos que viabilizar o aumento do retorno esperado. Para que isso seja sustentável, a gente precisa melhorar nosso conjunto de regras”;
- Reformas: “Algumas já estão sendo feitas, como a do saneamento, do gás. Mas também outras reformas como por exemplo a reforma tributária. O foco da reforma tributária não é aumentar a arrecadação, não é equilíbrio fiscal; o foco é aumentar a eficiência da economia.”
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