A SulAmérica (SULA11) surpreendentemente o publicou com um fato relevante informando que apresentou uma oferta vinculativa não solicitada para adquirir o HB Saúde, uma operadora de planos de saúde com sistema integrado verticalmente em São Paulo com 128 mil associados. Segundo o BTG Pactual (BPAC11), a agenda de fusões e aquisições continua viva.
Incluindo os ativos imobiliários, a HB foi avaliado em R$ 485 milhões pela SulAmérica (4% do valor de mercado da SULA).
Esse anúncio segue uma recente proposta vinculativa de R$ 450 milhões feito pela Hapvida aos acionistas da HB no início de julho.
Como a proposta da Hapvida foi entregue há quase dois meses, a percepção do BTG é que a comunidade de investidores já estava atribuindo uma alta probabilidade de que o HAPV acabaria adquirindo as operações da HB.
As propostas ainda estão sujeitas à aprovação
Conforme enfatizado pelos fatos relevantes publicados por ambas as empresas (dois meses do HAPV atrás e SULA agora), as propostas ainda estão sujeitas a aprovação pelos acionistas da HB Saúde.
Apesar da pequena diferença entre os dois lances, ainda não está claro se o HAPV corresponderá ao lance mais competitivo do que a SulAmérica.
De acordo com a proposta da empresa, o BTG vê um múltiplo de transação implícito de R$ 3,79k/membro e 1,6x as receitas, em linha com a média de negócios de HC nos últimos dois anos.
Player verticalmente integrado em São Paulo
Com receita anual de R$ 300 milhões (2% do faturamento da SulAmérica; 3% do HAPV), a HB Saúde tem 128 mil membros de planos de saúde (a maioria corporativo) e 25 mil de odontologia.
Localizada em São José do Rio Preto e Mirassol, possui um hospital com 31 leitos (6 UTI), 8 unidades ambulatoriais, uma clínica infantil, centros clínicos e diagnósticos, instalações de medicina preventiva e centro de oncologia.
SulAmérica vai acelerar estratégia de M&A com maior verticalização?
Alguns aspectos chamaram a atenção do BTG: (i) a decisão da SulAmérica de apresentar uma nova proposta para o HB levou quase dois meses após a oferta do HAPV (os acionistas vendedores estavam aparentemente aguardando novas propostas); (ii) este é o primeiro movimento inorgânico significativo (ou pelo menos uma tentativa) da SulAmérica desde a aquisição da Paraná Clínica (anunciada há mais de um ano), o que indica que a agenda de M&A da SulAmérica ainda está viva e funcionando; e (iii) o movimento também melhora a estratégia semi-verticalmente integrada da SulAmérica, uma vez que, assim como o Paraná Clínicas, a HB também administram parte das despesas médicas internamente.
Setor resiliente
Como um setor mais resiliente, o BTG diz que gosta da exposição a empresas de planos de saúde no momento, particularmente para investidores que buscam mais proteção em tempos de forte volatilidade do mercado.
“Nós temos classificações de compra na Hapvida e na SulAmérica, mas por motivos diferentes”, dizem os analistas.
Hapvida é por conta da fusão com a GNDI, que ainda não está precificada. E SulAmérica o valuation parece atraente (<12x ganhos em 2022), principalmente com as taxas de juros subindo.






