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Bolsonaro telefona para Xi Jinping para tentar abafar crise provocada pelo filho

Bolsonaro telefona para Xi Jinping para tentar abafar crise provocada pelo filho

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) informou nessa terça-feira (24) que telefonou para o dirigente da China, Xi Jinping, tentando abafar a crise diplomática iniciada na semana passada pelo seu próprio filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Bolsonaro utilizou sua conta oficial no Twitter para dizer que “nesta manhã, em ligação telefônica com o Presidente da China, Xi Jinping, reafirmamos nossos laços de amizade, troca de informações e ações sobre o covid-19 e ampliação de nossos laços comerciais”.

O presidente estava ao lado dos ministros da Agricultura Tereza Cristina (DEM-MS), do Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo-SP) e do Chanceler Ernesto Araújo.

Conversa amistosa

Segundo o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, disse também no Twitter, a conversa telefônica realizada entre o Presidente chinês Xi Jinping e o Presidente brasileiro Jair Bolsonaro foi realizada no ambiente muito cordial e amistoso, chegaram a alcançar importantes consensos”.

Wanming enumera os “consensos”: “reafirmaram o compromiso (sic) conjunto de dar continuidade ao estreito diálogo a favor do desenvolvimento saudável, estável e constante da Parceria Estratégica Global numa base mais forte e mais durável”.

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“Ambos reiteraram o compromisso com a estabilização e ampliação da parceria comercial, com especial neste contexto desafiador, contribuindo reponder (sic) ao impacto causado pela COVID-19 na economia mundial e se empenhar para retomar o crescimento econômico e comercial do mundo”, disse em outro tuíte.

Seguiu enumerando: “os dois presidentes reforçaram a necessidade de aumentar a cooperação no combate e controle da pandemia COVID-19, inclusive nos materiais médicos. Consideram que a única solução correta de vencer a pandemia com maior brevidade é a cooperação internacional”.

Falou também que “as duas partes manifestaram a importância da cooperação do G-20 no âmbito do combate contra COVID-19, apoiaram a proposta de Arábia Saudita de celebrar mais rapidamente possível uma vídeoconferência dos líderes dos países de G-20”.

E, por fim, “o Presidente Xi Jinping manifestou a solidariedade ao governo e ao povo brasileiros, faz voto pelo sucesso brasileiro o quanto antes no combate à COVID-19 sob a liderança do Presidente Jair Bolsonaro”.

Crise diplomática

Wanming esteve no centro da crise diplomática deflagrada por tuítes considerados irresponsáveis do filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Na quarta-feira (18), ele comparou a atual crise de saúde ao acidente nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia, em 1986, o pior da história da humanidade, e colocou a culpa na China pela pandemia do Covid-19. Eduardo e apoiadores passaram a chamar o novo coronavírus de “vírus chinês”.

“A parte chinesa repudia veementemente as suas palavras, e exige que as retire imediatamente e peça uma desculpa ao povo chinês. Vou protestar e manifestar a nossa indignação junto ao Itamaraty”, disse o embaixador, que ainda marcou a Câmara dos Deputados e Rodrigo Maia (DEM-RJ) no tuíte.

A Embaixada da China também rebateu o deputado e disse que ele havia proferido palavras “extremamente irresponsáveis”. Afirmou ainda que Eduardo havia “contraído vírus mental” ao retornar de Miami e que está “infectando amizades entre os nossos povos”.

Eduardo, dias depois, ao se ver sendo criticado por diversas autoridades brasileiras, inclusive ministros do seu pai, como Tereza Cristina, tentou pedir desculpas. Mas elas não foram aceitas.

Chanceler piora o quadro

A situação piorou justamente com quem deveria ser habilidoso em contornar esse tipo de crise, o ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo.

Ao contrário, no dia seguinte, quinta-feira (19), ele jogou mais lenha nesse fogo, ao fazer responder de forma oficial que era “inaceitável que o embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao chefe de Estado do Brasil e aos seus eleitores, como infelizmente ocorreu ontem à noite”.

Araújo afirmou que o governo tinha “a expectativa de uma retratação por sua repostagem ofensiva ao chefe de Estado”. O embaixador, entretanto, em nenhum momento chegou a citar o chefe de Estado Jair Bolsonaro, só o filho.

Como exigiu desculpas de Eduardo Bolsonaro, Araújo disse que “a reação do embaixador foi, assim, desproporcional e feriu a boa prática diplomática”.

Legislativo e autoridades de desculpam

O Senado Federal, a Câmara dos Deputados e outras autoridades correram para público na intenção de apaziguar os ânimos, dizendo que a fala do deputado não correspondia à do povo brasileiro.

Rodrigo Maia foi ao Twitter e marcou o embaixador pra dizer que, “em nome da Câmara dos Deputados, peço desculpas à China e ao embaixador pelas palavras irrefletidas do Deputado Eduardo Bolsonaro”.

As autoridades nacionais acreditam que a China que comandará a retomada da economia global após a crise do Covid-19. Isso porque o país segue sendo a maior potência mundial, junto com os Estados Unidos e porque, por ter aparentemente já ter se livrado da epidemia em seu território, estará mais estruturada quando a pandemia tiver passado.

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