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Bernie Sanders é o preferido dos eleitores jovens, mas isso não se traduz em votos

Bernie Sanders é o preferido dos eleitores jovens, mas isso não se traduz em votos

Bernie Sanders é o preferido dos eleitores jovens, mas isso não se traduz em votos; candidato não conseguiu convence-los a ir votar na Super Terça

O candidato à presidência dos Estados Unidos, ainda disputando as primárias para a indicação do Partido Democrata, Bernie Sanders, conquistou um importante apoio entre os jovens do país. Na Super Terça, ocorrida no último dia 3, o senador por Vermont alcançou 60% dos votos de eleitores entre 18 e 29 anos, contra 17% do seu principal rival, Joe Biden.

Entre a faixa etária de 30 a 44 anos, Sanders também tem vantagem, mas aqui um pouco menos, de 18 pontos percentuais. Quanto maior a idade do eleitor, mais a situação vai mudando. Entre 45 anos e 64, por exemplo, Biden já fica na frente em 23 pontos percentuais. Eleitores com mais de 65 anos dão a Biden uma vantagem de 35 pontos percentuais. De fato, nessa última faixa etária, Sanders perde até mesmo para o já desistente Bloomberg.

A grande questão é se essa vantagem entre os jovens se traduz em votos. Os mais jovens, por certo, são bem mais atuantes e presentes nas redes sociais e possuem, assim, um poder de espalhar as ideias muito maior. Mas o que se viu na Super Terça é que tal apoio não chegou até as urnas.

Os mais velhos tendem a ter uma certeza maior do voto e evitam qualquer ruptura mais brusca. Nesse sentido, Bloomberg e Biden fazem mais o estilo “centro”, enquanto Sanders prega algo que os Estados Unidos nunca experimentaram, um socialismo declarado, com maior distribuição de benesses vindas do Estados.

Voto não obrigatório

Como o voto não é obrigatório nos Estados Unidos, o apoio não necessariamente se converte em votos. Sem o comparecimento, o voto dos jovens foi vencido. Ironicamente, mais jovens votaram em 2020 do que em 2016, o que parece ser uma boa notícia, mas foi uma participação difusa e eles representavam uma parcela menor do eleitorado.

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O jornal USA Today apresenta um caso representativo: na Virgínia, por exemplo, mais de 1,3 milhão de eleitores votaram em comparação aos cerca de 800 mil de quatro anos atrás. Mas as pesquisas de opinião divulgadas na Super Terça-feira mostraram que a parcela de jovens eleitores como porcentagem de todo o eleitorado diminuiu, arrefecendo sua influência como um bloco de votação.

O próprio Sanders, na quarta-feira (4), admitiu que o trabalho da sua campanha é em dobro e que esse trabalho foi fracassado: “tivemos o sucesso que eu esperava em atrair jovens? A resposta é ‘não'”.

“Estamos fazendo algum progresso, mas historicamente todo mundo sabe que os jovens não votam na quantidade que os mais velhos votam”, continuou. “Acho que isso vai mudar nas eleições gerais. Mas, para ser sincero com você, não fizemos o suficiente para trazer jovens para o processo. Não é fácil”.

O grande esforço para Sanders virar o jogo será não só convencer mais pessoas que sua cartilha eleitoral é boa para o país, mas convencer essas pessoas a ir até o local de votação.

Após a Super Terça, Joe Biden ficou na liderança, com 602 delegados prometidos, contra 538 de Bernie Sanders. Após as desistências dos candidatos com alguma chance, só sobraram os dois com reais chances de enfrentar Trump nas eleições de novembro.

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