Nessa batalha de gigantes dos frigoríficos, saberemos um pouco mais sobre como está o mercado mundial de carnes e sobre o desempenho de JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3), BRF (BRFS3) e Minerva (BEEF3), as gigantes brasileiras do setor. Confira a seguir!
Mercado mundial de carnes
Nos últimos anos, o mercado de carnes sofreu forte influência de dois fatores que mudaram o desenho da demanda internacional. O primeiro deles foi a gripe suína africana, que afetou fortemente o mercado de suínos em 2019. Além disso, no início de 2021, uma nova cepa surgida na China voltou a preocupar o mercado. Embora não seja tão letal quanto às registradas anteriormente, a nova cepa reduz a quantidade de leitões recém-nascidos, o que impacta diretamente a oferta de suínos no país.
O segundo fator foi o reflexo da pandemia na economia mundial. No Brasil, a retração da economia afetou fortemente alguns setores, entre eles o de carnes. Por outro lado, a liquidez do mercado norte-americano, fruto da grande injeção de dinheiro na economia, potencializou as exportações de proteína animal por parte dos produtores brasileiros.
Em maio, os Estados Unidos já eram o terceiro maior destino das exportações de carne do Brasil. Nesse sentido, o país fica atrás somente da China e de Hong Kong.
A influência da China no mercado de proteína animal
Soma-se aos fatores acima o aumento da demanda chinesa nos EUA, ocorrida por conta de desentendimentos comerciais entre China e Austrália. Isso acabou abrindo ainda mais espaço para o Brasil aumentar as suas exportações para a América do Norte. Na opinião de especialistas, isso pode consolidar a posição do Brasil como fornecedor de carnes para os EUA. Apesar do filé brasileiro ser diferente do norte-americano, a carne do Brasil serve para outras finalidades, como hambúrgueres, por exemplo.
Na China, o consumo de proteína bovina ficava atrás do peixe, porco e frango, nessa ordem. Porém, desde o surto de gripe suína de 2019, a matriz de fornecimento de proteína animal mudou no mundo. Nesse sentido, a carne bovina passou a ser a segunda mais consumida pelo mercado chinês. A substituição do porco pelo boi aumentou consideravelmente a demanda naquele país, o que elevou os preços no mercado mundial.
Além disso, o aumento do poder aquisitivo da população chinesa também contribuiu para o maior consumo. Dessa forma, a conjuntura econômica também favoreceu o mercado de exportação de proteína bovina.
Desempenho dos gigantes brasileiros do setor
Nesse contexto, veja agora como anda o desempenho dos gigantes dos frigoríficos JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3), BRF (BRFS3) e Minerva (BEEF3).
JBS (JBSS3)
Entre as quatro empresas, a JBS é a que possui o maior faturamento. Em 2020, as vendas atingiram R$ 275 bilhões, sendo que 76% vieram dos Estados Unidos. Nesse sentido, o destaque foi para a JBF USA Beef, responsável por 41% das vendas totais do ano.
Detentora de marcas como Friboi, Seara e Lebon, a JBS é a preferida dos analistas do BTG Pactual entre as quatro gigantes do setor. Os motivos são a forte exposição ao mercado norte-americano e a diversificação de produtos. No final de julho, a JBS era a única entre as quatro empresas que tinha recomendação de compra das ações.
No entanto, há um ponto de atenção do mercado em relação à participação que o BNDES tem na empresa. Nesse sentido, se o banco realmente se desfizer dos atuais 23% do capital social, isso poderá gerar um excesso de ações da companhia no mercado.
Marfrig (MRFG3)
A Marfrig é a maior produtora mundial de hambúrgueres e segunda maior produtora de carne bovina. Dona da National Beef, aproximadamente 70% de sua receita vem dos Estados Unidos, e o restante, da América do Sul. Em ambos os mercados, existem os business de exportação e doméstico, porém as exportações são mais fortes nos países sul-americanos.
A empresa é detentora das marcas Montana (carnes para churrasco), Bassi (carnes premium), Revolution (carnes vegetais) e Viva (carnes carbono zero).
A Marfrig encerrou 2020 com vendas totais de R$ 67,5 bilhões. Em maio desse ano, comprou 24% das ações da BRF, negociação que totalizou US$ 830 milhões. Um mês depois, uma nova aquisição elevou a participação na BRF para cerca de 31%.
Segundo a empresa, a intenção não é participar da gestão da BRF. Isso porque a compra teria unicamente o objetivo de diversificar seus investimentos no segmento de proteína. Além disso, há que se considerar também que a Marfrig é a principal fornecedora da BRF, e a participação acionária naturalmente dá mais conforto a essa relação comercial.
BRF (BRFS3)
Entre as marcas mais conhecidas da BRF, estão Sadia e Perdigão, justamente as duas empresas que deram origem à companhia. As duas marcas representam aves, suínos, embutidos e congelados.
Em 2020 a BRF faturou R$ 39,5 bilhões, sendo que quase 60% da receita veio do mercado interno. Pelos motivos que vimos anteriormente, isso hoje é apontado como uma desvantagem no segmento de carnes. Além disso, analistas estimam que a empresa possa ter problemas com o aumento dos custos de ração e matéria prima, o que deve refletir em seu balanço.
Por outro lado, os 300 mil pontos de venda e a diversificação do portfólio são pontos positivos da BRF. Isso já não ocorre com Marfrig, por exemplo, que possui somente a carne bovina para venda.
Minerva (BEEF3)
Em termos de faturamento, a Minerva é a menor entre as quatro empresas, tendo atingido vendas totais de R$ 20,5 bilhões em 2020.
Atualmente, 60% das receitas vêm da exportação, porém uma parte relevante do business é doméstico. Da mesma forma que ocorre com a BRF, isso também a coloca em desvantagem no cenário atual pois, segundo analistas, não há uma expectativa de virada de ciclo, ao menos por ora.
Ou seja, a oferta de gado deverá continuar apertada (o preço das arrobas está em níveis recordes) e não há perspectivas de alívio para os próximos meses. Soma-se a isso a tímida demanda de carne bovina no Brasil, como vimos anteriormente.
Outro ponto de alerta da Minerva é a importante operação que a empresa possui na Argentina. Nesse sentido, alguns analistas acreditam que isso não configure o grande risco do negócio. No entanto, é algo que não deixa o mercado totalmente à vontade em relação à operação da empresa.
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