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Vendas do varejo crescem 0,8% em março e atingem recorde histórico

Vendas do varejo crescem 0,8% em março e atingem recorde histórico

As vendas do varejo cresceram 0,8% em março na comparação com fevereiro e atingiram o maior patamar da série histórica.

As vendas do varejo cresceram 0,8% em março na comparação com fevereiro e atingiram o maior patamar da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), iniciada em janeiro de 2000. O dado, divulgado nesta quarta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta a terceira alta consecutiva do setor, consolidando uma trajetória de recuperação após oscilações registradas no final de 2024.

A expansão no mês levou o índice de média móvel trimestral a 0,6%, acelerando em relação aos 0,3% do trimestre encerrado em fevereiro.

Segundo o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, o destaque do mês foi o crescimento disseminado entre as atividades, com seis dos oito setores analisados apresentando desempenho positivo. Entre eles, ganharam relevância os segmentos de livros, jornais, revistas e papelaria, com alta expressiva de 28,2%, e o de equipamentos e material de escritório, informática e comunicação, que cresceu 3%.

“O que chama atenção em março é o perfil distribuído do crescimento. Tivemos altas em setores de grande peso, como farmácias e supermercados”, explicou Santos. Ele também ressaltou que o crescimento no setor de papelaria se deu de forma atípica, sendo deslocado de fevereiro para março devido a variações no calendário escolar.

Já o segmento de informática foi impactado por fatores cambiais.

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“A volatilidade no dólar influenciou o comportamento das empresas, que aguardaram melhores momentos para repor estoques de produtos importados, o que gerou oscilação nos resultados mensais”, detalhou.

Outros setores com avanço em março incluem outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,5%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (1,2%), tecidos, vestuário e calçados (1,2%), além de hiper e supermercados, que subiram 0,4%.

Por outro lado, móveis e eletrodomésticos (-0,4%) e combustíveis e lubrificantes (-2,1%) recuaram no mês. Segundo o IBGE, o setor de combustíveis devolveu parte dos ganhos registrados nos dois primeiros meses do ano, refletindo uma menor demanda em março.

O comércio varejista ampliado, que inclui veículos e material de construção, teve desempenho ainda mais robusto, com alta de 1,9% em março após uma queda de -0,2% em fevereiro. Nesse segmento, os destaques foram veículos, motos, partes e peças (1,7%) e material de construção (0,6%).

gráfico de vendas no varejo
Vendas no varejo. Fonte: IBGE

Vendas no varejo: queda na comparação anual

Apesar do recorde no volume mensal, o desempenho do varejo foi negativo na comparação com março de 2024: queda de 1%. Cinco das oito atividades recuaram, com destaque para livros, jornais, revistas e papelaria (-6,9%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-6,3%). O setor de informática e escritório também caiu (-2,1%), assim como hiper e supermercados (-1,4%) e combustíveis e lubrificantes (-0,8%).

“Ainda que março tenha mostrado uma recuperação pontual em alguns setores, a base de comparação com 2024 é mais baixa, especialmente em atividades como a de papelaria, que enfrenta uma queda estrutural nas vendas de produtos físicos”, explicou Santos.

Em contrapartida, três setores cresceram frente a março do ano anterior: móveis e eletrodomésticos (3,3%), artigos farmacêuticos e de perfumaria (2,1%) e vestuário e calçados (1,4%).

O varejo ampliado, na comparação interanual, também recuou 1,2%, puxado por veículos e peças (-2,2%) e pelo atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,6%). Já material de construção registrou uma alta expressiva de 5,2%.

O que é a pesquisa de vendas no varejo?

A Pesquisa Mensal de Comércio é conduzida pelo IBGE desde 1995 e investiga mensalmente a receita bruta de revenda em empresas formais do setor varejista com 20 ou mais empregados. Os dados permitem acompanhar o comportamento conjuntural do comércio no país e são divulgados com abrangência nacional e por Unidades da Federação. A próxima divulgação, com os dados de abril de 2025, está prevista para 12 de junho.