O PMI Industrial do Brasil fechou em 44,2 pontos, numa estabilidade pessimista em relação a novembro, quando o índice foi de 44,3.
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Sigla para Índice Gerente de Compras, o PMI é calculado a partir de entrevistas mensais com executivos de compras em 400 empresas do setor industrial a respeito da percepção atual do mercado e das perspectivas de médio e longo prazo para a economia.
Quando o índice fica abaixo de 50 pontos, ele transmite uma sensação de pessimismo do mercado. Neste mês, o índice segue em baixa porque os clientes vêm adiando ou cancelando as compras em meio à incerteza fiscal e econômica, o que fez com que as empresas reduzissem os níveis de compra e o quadro de funcionários efetivos.
A demanda fraca de insumos, por sua vez, levou a uma melhoria recorde nos prazos de entrega dos fornecedores. Os dados de dezembro também mostraram um novo aumento, embora moderado, tanto nos preços de insumos quanto nos custos de produção.
As empresas indicaram que a incerteza a respeito da política econômica e das políticas públicas no novo governo provocou diminuição das vendas em dezembro, com os clientes frequentemente cancelando ou adiando as compras. Embora tenha diminuído em relação a novembro, a taxa de contração foi acentuada e a segunda mais rápida desde maio de 2020.
As vendas internacionais voltaram a pesar nos novos negócios em geral. O índice de novos pedidos para exportação caiu em um dos maiores graus já vistos desde o início da coleta de dados, há quase dezessete anos. As empresas relataram uma demanda fraca da Europa, América Latina e Estados Unidos.
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Fabricantes ainda mostram cuidado
Os fabricantes de produtos brasileiros também sinalizaram excedente de capacidade entre si, conforme evidenciado por outro declínio nos negócios pendentes. A queda foi a décima nona no mesmo número de meses e uma das mais fortes em quase dezessete anos de coleta de dados.
Houve declínios consecutivos nos inventários de insumos em dezembro. Além disso, a taxa de redução foi sólida e a mais acelerada em dois anos. De acordo com os participantes da pesquisa, os estoques foram reduzidos conforme o enfraquecimento da demanda.
Os estoques de produtos acabados também sofreram redução em dezembro, encerrando uma sequência de sete meses de acúmulo. A redução nesse caso também foi associada a vendas fracas. Entretanto, a taxa geral de redução foi apenas superficial.
Desvalorização do real, escassez de componentes e preços crescentes para alguns itens foram citados como fatores que levaram a um novo aumento nos custos. A recuperação foi modesta no contexto dos dados históricos, porém comparada a quedas nos dois meses anteriores.
Da mesma forma, os preços de venda aumentaram pela primeira vez em três meses, embora moderadamente. Algumas empresas procuraram transferir os aumentos de custos para seus clientes, enquanto outras contiveram o aumento de seus honorários em meio a tentativas de estimular a demanda.
Por fim, houve uma melhora na confiança nos negócios em dezembro à medida que as empresas esperavam que políticas públicas favoráveis e relações internacionais fossem um bom presságio para as perspectivas de crescimento. Planos de expansão, investimentos, diversificação de produtos e antecipação de vendas maiores também aumentaram o otimismo.
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Análise da S&P sobre o PMI Industrial do Brasil
“A pesquisa nos mostra que clientes e fabricantes continuam ansiosos em relação às futuras políticas públicas e à resiliência da economia, com essas preocupações mantendo o setor firmemente contraído em dezembro”, afirmou Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence.
“Embora as vendas tenham sido canceladas ou adiadas, as empresas pelo menos esperavam que uma maior clareza nos próximos meses sustentasse melhores perspectivas de crescimento. Dito isso, as empresas brasileiras foram cautelosas com suas expectativas e focadas no aqui e agora”, completou a analista.
“Por enquanto, o aumento nos preços de fábrica foi moderado, mas qualquer aumento na inflação dos custos e aumentos subsequentes nas taxas de bens finais podem prejudicar gravemente a demanda já fragilizada.”
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