O ouro ultrapassa US$ 5.000 por onça pela primeira vez na história, consolidando um movimento de valorização que vinha ganhando força desde o final de 2025. Nesta manhã, o metal precioso chegou a ser negociado acima de US$ 5.100 por volta das 14h, superando com folga as projeções mais otimistas do mercado e reacendendo o debate sobre até onde o rali pode ir nos próximos meses.
Analistas já trabalham com a hipótese de que o ouro possa alcançar US$ 6.000 por onça até o fim do ano, patamar que, para alguns, ainda pode se revelar conservador diante do cenário macroeconômico global e da forte entrada de capital financeiro no mercado.
Ouro ultrapassa US$ 5.000 e supera previsões de bancos
A marca de US$ 5.000 estava no radar de grandes instituições financeiras apenas para o encerramento do ano. O time de research do Société Générale, por exemplo, projetava o metal nesse nível apenas no final de 2026. O avanço antecipado indica que as forças que sustentam o preço do ouro se intensificaram de forma mais rápida do que o esperado.
Mesmo com a disparada, o posicionamento dos fundos de hedge não é considerado excessivo em termos históricos. No entanto, o valor nocional das posições atingiu um recorde de US$ 78 bilhões, o maior já registrado, superando o pico observado em setembro de 2025. O dado mostra que a exposição financeira ao ouro nunca foi tão elevada.
ETFs se tornam o principal motor do rali
Desde outubro de 2025, os fluxos para ETFs lastreados em ouro e prata têm sido o principal vetor de alta dos preços. Diferentemente dos dados de compras de bancos centrais, que são divulgados com atraso, os fluxos de ETFs oferecem uma leitura quase em tempo real do apetite dos investidores.
Esse fator ajuda a explicar por que o preço do ouro continua avançando mesmo em um momento de sinais mistos vindos da demanda oficial. A busca por proteção, liquidez e diversificação tem favorecido instrumentos financeiros ligados ao metal, ampliando sua atratividade em um ambiente de incerteza global.
Compras de bancos centrais mostram sinais de desaceleração
Embora historicamente relevantes, as compras de ouro por bancos centrais passaram a ser vistas com maior cautela. Os dados reportados ao Fundo Monetário Internacional (FMI) são defasados e nem sempre refletem toda a atividade, especialmente operações como swaps ou arrendamentos de ouro.
Como alternativa, analistas acompanham os dados de exportação de ouro do Reino Unido, divulgados pela HM Revenue & Customs (HMRC), usados como proxy para estimar a demanda oficial. Os números mais recentes, referentes a novembro, indicaram forte desaceleração: as exportações totais somaram apenas 19 toneladas, bem abaixo da média histórica para o período.
As remessas destinadas à China, tradicionalmente um dos principais compradores, ficaram em 10 toneladas, contra uma média de 51 toneladas para novembro desde 2022.
Cofres da LBMA reforçam leitura de menor demanda oficial
Outro indicador acompanhado de perto são os estoques dos cofres da London Bullion Market Association (LBMA). Os dados de dezembro de 2025 mostraram um aumento expressivo de 199 toneladas nas reservas de ouro armazenadas em Londres.
Historicamente, movimentos dessa magnitude estão associados a períodos de baixa atividade de exportação e, consequentemente, a uma demanda mais fraca por parte dos bancos centrais. Em meses de grandes entradas nos cofres da LBMA, as exportações costumam cair para níveis próximos de 12 toneladas, enquanto períodos de saída líquida registram médias acima de 150 toneladas.
Rali do ouro reflete mais fluxo financeiro do que escassez física
O conjunto das informações sugere que o atual rali do ouro é impulsionado principalmente por fluxos financeiros, e não por uma corrida física liderada por bancos centrais. Ainda assim, a combinação de incertezas macroeconômicas, aumento da exposição institucional e papel do ouro como ativo de proteção sustenta o movimento de alta.
Com o ouro ultrapassando US$ 5.000 por onça, o mercado entra em uma nova faixa de preços, na qual referências históricas perdem relevância e o comportamento dos investidores passa a ser o principal fator de definição dos próximos níveis.






