O minério de ferro encerrou o pregão desta quinta-feira (8) em queda de 3,12% na bolsa de Dalian, na China, cotado a 682,50 yuans a tonelada, o equivalente a US$ 101,80. O recuo ocorreu no mesmo dia em que a S&P Global Ratings divulgou um relatório sinalizando que a crise do setor imobiliário chinês, que se arrasta há anos, pode estar se aproximando do fim.
Segundo os analistas da agência, os preços dos imóveis residenciais no país podem atingir o ponto mais baixo no terceiro trimestre de 2028. O documento também aponta que as maiores cidades chinesas, como Pequim e Xangai, devem registrar recuperação já no próximo ano.
A avaliação representa uma mudança significativa de tom. Em fevereiro, a própria S&P havia afirmado que os elevados estoques de imóveis não vendidos impediam uma recuperação do mercado.
O que mudou
De acordo com o autor do relatório, Edward Chan, analista de crédito da S&P Global Ratings, a virada se deve a duas frentes de políticas do governo chinês.
Em agosto, Pequim anunciou novas restrições à capacidade das construtoras de venderem imóveis ainda inacabados. Um mês depois, o primeiro-ministro Li Qiang afirmou que o governo implementaria medidas para estabilizar o setor imobiliário. Na sequência, o país lançou um subsídio para taxas de hipoteca destinado a compradores de primeira habitação em unidades com valor inferior a 1,5 milhão de yuans (cerca de US$ 220 mil) e área inferior a 120 metros quadrados.
Por que importa para o minério de ferro
O setor imobiliário e a construção civil estão entre os principais consumidores de aço na China, o que torna o minério de ferro especialmente sensível ao andamento do mercado de imóveis. Uma menor expansão de novos projetos, como prevê a S&P, é um fator que o mercado costuma acompanhar de perto ao precificar a commodity, ainda que a recuperação projetada seja gradual.
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