O Brasil tem “gordura” para queimar juros em caso de cenário incerto, disse o ministro da Fazenda Fernando Haddad nesta segunda-feira (13).
O contexto da fala diz respeito a possíveis incertezas econômicas e contaminações que possam ocorrer por conta da “quase quebra” de dois bancos nos EUA, na última semana.
Acontece que a autoridade regulatória norte-americana precisou fechar o Signature Bank, com sede em Nova York, bem como o Silicon Valley Bank, que costumava financiar startups.
Por conta disso, o governo dos EUA tem feito um esforço atípico para assegurar a saúde do mercado financeiro, bem como dos Treasuries, que são títulos do Tesouro.
Nesta manhã, por exemplo, o presidente Joe Biden foi a público acalmar os correntistas e disse que todos terão acesso aos seus créditos.
Na última semana, em caráter de urgência, a autoridade regulatória precisou abrir um banco para transferir as operações das instituições encerradas para este, de maneira a controlar com mais assertividade as operações.
Na sequência, o governo e agentes de mercado já anunciaram a venda destes ativos e o HSBC de Londres adquiriu a unidade do Silicon Valley Bank no Reino Unido.
Os investidores, por sua vez, incluindo os brasileiros, acompanham o desenrolar dos fatos, e os mercados seguem com cautela nesta data.

‘Gordura’ para queimar juros
Em relação a Haddad, o ministro tem se mostrado otimista e passado confiança ao mercado. Ele disse, inclusive, que não vê risco de uma crise sistêmica na economia global por conta destes eventos.
Ainda assim, é sabido que uma eventual crise bancária nos EUA pode gerar tensões nos mercados, com reflexo nas taxas de juros ao redor do mundo.
Haddad até teceu comentários sobre o Silicon Valley Bank. Para ele, esse é um banco regional, com carteira “descasada” do restante do sistema financeiro.
“Aparentemente, não [vai gerar crise sistêmica]. Não vi ninguém tratar como Lehman Brothers, é grave o que aconteceu”, declarou.
Sobre os juros brasileiros
Em se tratando dos juros brasileiros, atualmente em 13,75% ao ano, há uma pressão por parte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e sua equipe, para que os dirigentes do Banco Central (BC) reduzam a Selic, que é a taxa oficial do país. Há uma premissa de que os juros deveriam, neste momento, operar na casa dos 6% e esta diferença é a tal “gordura” de que Haddad fala. Os diretores do BC, por sua vez, sustentam os juros altos alegando conter a inflação.
“Hoje haveria pouco espaço para redução da taxa de juros no mundo e uma gordura no Brasil, tomando as providências que tem de ser tomadas. Penso que temos um espaço que o mundo não tem”, disse.
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