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Grécia vive “ameaça existencial” por baixa natalidade

Grécia vive “ameaça existencial” por baixa natalidade

Grécia enfrenta ameaça existencial pela baixa natalidade que passa a ser ameaça existencial: vilas fantasmas e declínio populacional.

Não há mais ninguém para administrar o café Saint George em Lasta, uma vila montanhosa no Peloponeso, na Grécia que parece ter uma ameaça existencial. Em seu lugar, funciona um sistema de honra: os visitantes tomam uma bebida, deixam uma doação e contemplam relíquias de uma era passada.

Nas paredes, fotos de antigos moradores contrastam com a praça deserta, a escola abandonada e casas vazias — um retrato inquietante do futuro de um país que enfrenta um severo declínio populacional. Lasta é apenas uma das centenas de vilas “fantasmas” da Grécia, reflexo visível de décadas de baixa natalidade, emigração em massa e dificuldades econômicas.

Economistas alertam que a baixa natalidade representa uma ameaça existencial ao futuro do país. Com uma taxa de fertilidade de 1,3 — uma das menores da Europa e muito abaixo dos 2,1 necessários para reposição populacional —, a Grécia registrou, em 2023, o menor número de nascimentos em quase um século. Para cada nascimento, ocorrem duas mortes, e os maiores de 65 anos já são quase o dobro da população com menos de 14.

Vilas fantasmas e o impacto econômico

O declínio populacional é mais pronunciado em vilarejos e ilhas, onde comunidades inteiras foram esvaziadas. Estima-se que cerca de 200 vilas estejam completamente abandonadas. Esses espaços, antes cheios de vida, agora atraem turistas curiosos pelo seu ar nostálgico.

A crise econômica de 2009 agravou o problema. A austeridade, o alto desemprego jovem, que chegou a 59,5% em 2013, e a falta de perspectivas levaram mais de 400.000 gregos a emigrarem. Outros deixaram as áreas rurais em busca de oportunidades nas grandes cidades. Atualmente, mais da metade da população vive em Atenas e Thessaloniki, enquanto o interior da Grécia continua a despovoar.

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Medidas governamentais e desafios

Diante do risco de redução populacional de 10,4 milhões para 7,5 milhões até 2050, o governo grego anunciou um plano de 20 bilhões de euros até 2035, incluindo incentivos fiscais, benefícios para famílias e licenças parentais ampliadas. Contudo, especialistas permanecem céticos sobre a eficácia dessas medidas isoladas.

O desafio da Grécia é comum a outras nações desenvolvidas, como Japão e Coreia do Sul, onde as taxas de fertilidade são ainda menores. O impacto demográfico ameaça o crescimento econômico de longo prazo, prejudicando a capacidade produtiva e o desenvolvimento sustentável.

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