Para o cientista político e professor Heni Ozi Cukier, conhecido como Prof. HOC, a geopolítica passou a comandar o debate econômico. A avaliação foi feita nesta sexta-feira (28), durante palestra na Money Week 2026, evento da EQI Investimentos em Balneário Camboriú. Cukier também atua como escritor, palestrante e político.
“O mundo não gira mais sob a lógica econômica. A geopolítica tomou conta. E não existe raciocínio econômico separado da política”, disse Cukier.
Para o professor, toda decisão racional compara custo e benefício. O que muda, segundo ele, é que o custo hoje varia de acordo com a posição política de cada um.
“A tomada de decisão racional compara duas coisas, basicamente: custo e benefício. Benefício é propriedade, dinheiro no banco, carro. Custo é a mesma coisa, variando de acordo com a nossa crença e posição política”, afirmou.
Cukier usou o agronegócio brasileiro para ilustrar o argumento, questionando a lógica por trás da forte dependência do Brasil em relação à China. Ele defendeu que decisões guiadas só pela economia ignoram um risco crescente.
Vender soja para a China é racional só do ponto de vista econômico
Ele questionou publicamente se ainda faz sentido o Brasil vender tanta soja à China, olhando apenas pela ótica econômica. Para Cukier, a resposta muda dependendo do ponto de vista adotado.
“Pensando no agro brasileiro: faz sentido vender tanta soja para a China? Do ponto de vista econômico, claro. Mas e do ponto de vista geopolítico, será que é igual? A China é uma ditadura, e o Brasil tem uma dependência gigantesca dela”, afirmou.
O professor foi além e apontou um risco geopolítico concreto por trás dessa relação comercial.
“Geopoliticamente, é um país com grande risco, já que vão querer tomar Taiwan e entrarão em choque com os Estados Unidos. Então, o Brasil, do ponto de vista econômico, vende tudo o que pode e compra tudo o que pode. Mas, na perspectiva política, essa conta lá na frente vai chegar”, disse Cukier.
Para Cukier, ignorar essas duas camadas de risco deixou de ser uma opção para investidores e empresas. Segundo ele, essa mudança de cenário veio para ficar.
“Quem quiser estar preparado para lidar com a realidade de hoje precisa incorporar em sua tomada de decisão esses dois riscos: o político e o geopolítico. E isso veio para ficar”, concluiu.






