O Banco Central divulgou nesta sexta-feira (29) os dados fiscais de abril de 2026, mostrando que a dívida bruta do governo geral (DBGG) atingiu 80,4% do PIB, equivalente a R$ 10,4 trilhões, enquanto a dívida líquida do setor público (DLSP) chegou a 67,4% do PIB, ou R$ 8,8 trilhões.
Apesar do superávit primário registrado no mês, o peso dos juros nominais segue como principal vetor de deterioração das contas públicas.
Superávit primário em abril, mas déficit nominal persiste
O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 24,6 bilhões em abril, resultado superior aos R$ 14,1 bilhões do mesmo mês de 2025. O Governo Central contribuiu com R$ 26,1 bilhões e os governos regionais com R$ 329 milhões, enquanto as empresas estatais registraram déficit de R$ 1,8 bilhão.
No acumulado de 12 meses, porém, o setor público ainda acumula déficit primário de R$ 126,6 bilhões, equivalente a 0,97% do PIB — melhora de 0,09 ponto percentual em relação a março. O resultado nominal, que inclui os juros, foi deficitário em R$ 60,1 bilhões apenas em abril.
Conta de juros chega a R$ 1,1 trilhão em 12 meses
Os juros nominais do setor público somaram R$ 84,8 bilhões em abril de 2026, ante R$ 69,7 bilhões no mesmo mês do ano anterior. O aumento reflete o crescimento da dívida líquida e a maior inflação no período.
No acumulado de 12 meses até abril, os juros nominais alcançaram R$ 1.095,5 bilhões, equivalente a 8,43% do PIB — alta frente aos 7,65% do PIB registrados nos 12 meses até abril de 2025. O déficit nominal acumulado em 12 meses chegou a R$ 1.222,1 bilhões, ou 9,41% do PIB.
Dívida bruta e líquida sobem no mês e no ano
A dívida líquida avançou 0,6 ponto percentual do PIB em abril, pressionada pelos juros nominais (+0,7 p.p.) e pela valorização cambial de 4,4% no mês (+0,5 p.p.), parcialmente compensados pelo superávit primário (-0,2 p.p.) e pelo crescimento do PIB nominal (-0,3 p.p.). No acumulado do ano, a DLSP cresceu 2,1 pontos percentuais do PIB.
A dívida bruta subiu 0,3 ponto percentual do PIB no mês, também impulsionada pelos juros nominais apropriados (+0,9 p.p.). No ano, o aumento foi de 1,7 ponto percentual, resultado da incorporação de juros (+3,3 p.p.) e emissões líquidas de dívida (+0,3 p.p.), parcialmente compensados pelo crescimento do PIB nominal (-1,5 p.p.) e pela valorização cambial (-0,4 p.p.).






