O conflito no Oriente Médio chegou ao bolso do caminhoneiro brasileiro. O litro do diesel saiu de R$ 5,74, patamar anterior à guerra, para R$ 7,22 na quarta-feira (19), segundo levantamento da TruckPag, empresa de gestão de frotas que mapeou mais de 143 mil transações em 4.664 postos.
Diante da pressão, o governo federal avança em uma proposta de isenção temporária de ICMS sobre as importações do combustível.
A medida, segundo o BTG Pactual (BPAC11), abriria espaço para uma redução de aproximadamente R$ 1,17 por litro. O valor, contudo, é inferior ao diferencial de paridade de importação estimado em R$ 1,93 por litro, o que significa que a isenção não eliminaria por completo a pressão sobre os preços.
Para o BTG, somado ao subsídio já existente de R$ 0,32 por litro para importadores, o pacote ofereceria alívio ao consumidor e ao setor de transporte sem configurar interferência direta na política de preços da Petrobras (PETR4), o que o banco avalia como um ponto positivo por preservar a autonomia da estatal na precificação.
O pano de fundo envolve também um embate entre a estatal e o setor. A CNN Brasil reportou que a Petrobras teria reduzido em até 20% o volume que as distribuidoras poderiam comprar em abril na comparação com o mesmo período do ano passado.
A companhia nega e afirma operar suas refinarias em capacidade máxima.
“A Petrobras sempre prestou e continuará prestando todas as informações e esclarecimentos solicitados pela ANP, com a qual mantém relação de respeito e colaboração”, garantiu a estatal em nota.
Impacto fiscal e risco político
O custo da medida é estimado em R$ 3 bilhões ao longo de dois meses. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs que o governo federal arque com metade dessa perda de arrecadação, pedindo que os estados bancassem o restante.
A implementação, no entanto, depende da adesão dos governadores, o que torna o desfecho incerto.
A ANP notificou a Petrobras para que ofertasse os volumes de diesel e gasolina referentes a leilões de março que haviam sido cancelados. A agência informou que, até o momento, não identifica restrições à disponibilidade de combustíveis no mercado doméstico.
Para o BTG, a proposta é o esforço do governo de conter a pressão inflacionária dos combustíveis e reduzir o risco de paralisações no setor de transporte. A estratégia de atuar pelo lado fiscal, em vez de pressionar a Petrobras por reajuste de preços, preserva a política de paridade de importação da estatal e evita os riscos ao balanço da companhia vistos em ciclos anteriores.
Leia também:






