SAÍDA FISCAL DO BRASIL: VALE A PENA?
Home
Notícias
Economia
Brasil e o risco de um apagão “numa tarde quente de primavera”

Brasil e o risco de um apagão “numa tarde quente de primavera”

Preços definidos pelo MME para novo leilão são insuficientes para remunerar adequadamente projetos térmicos

Os preços-teto anunciados pela Aneel para o leilão de reserva de capacidade de março (23) ficaram significativamente abaixo das expectativas do mercado, segundo análises do BTG Pactual e do Santander divulgadas nesta quarta-feira (11).

O Santander calculou que os valores ficaram aproximadamente 35% inferiores para usinas novas e 54% menores para usinas existentes em relação às suas estimativas mais recentes. O BTG foi mais enfático: “os preços não parecem refletir o quão pressionada e cara a cadeia de suprimentos se tornou”, afirmam os analistas Antonio Junqueira, Gisela Gushiken e Maria Schutz.

O governo estabeleceu o preço-teto em R$ 1,6 milhão/MW-ano para novas térmicas (equivalente a R$ 183/MWh) e R$ 1,12 milhão/MW-ano para térmicas existentes (equivalente a R$ 128/MWh). Segundo o Santander, os preços financeiramente viáveis estariam em torno de R$ 269/MWh para novas usinas e R$ 166/MWh para existentes.

Apagão na primavera

O BTG Pactual alertou que “ao preço-teto apresentado, há uma boa chance de o governo não adicionar nova capacidade térmica à rede”. Os analistas destacam que essa taxa de R$ 1,6 milhão/MW é tão baixa que existe possibilidade de nenhum projeto se mostrar viável, colocando o sistema em risco justamente quando a necessidade por usinas de pico está aumentando.

“Se o governo falhar em adicionar capacidade de pico nos próximos anos por meio de um leilão organizado e competitivo, pode ser forçado a escolher opções muito mais caras no futuro próximo para evitar apagões frequentes durante dias de alta demanda, como uma tarde quente de primavera”, advertem os analistas do BTG.

Publicidade
Publicidade

Soluções e próximos passos

Ambos os bancos expressam preocupação com o déficit estrutural de capacidade do sistema. O Santander reiterou que “o preço-teto de potência deveria ser fixado em níveis mais elevados. Caso contrário, o governo corre o risco de agravar o déficit estrutural de capacidade do sistema, aumentando a probabilidade de restrições de oferta e potenciais apagões”.

O BTG destaca uma característica do setor: “na indústria de energia, a realidade sempre prevalece”. Segundo os analistas, ao longo dos anos, as necessidades físicas do sistema são mais fortes do que qualquer ideologia ou política governamental específica. Se o leilão de capacidade falhar em seu objetivo, cada distorção que o sistema já apresenta provavelmente será amplificada, com preços de energia, volatilidade e riscos de suprimento muito mais elevados.

Eneva: recomendação de compra

Apesar da forte queda das ações na terça-feira em reação aos preços-teto anunciados, o Santander mantém recomendação de compra para Eneva (ENEV3). Os analistas André Sampaio, Guilherme Lima e João Pedro Herrero destacam que o único ponto positivo do anúncio foi o preço-teto de R$ 1,4 milhão/MW para hidrelétricas, que pode permitir que alguns players adicionem capacidade com bons VPLs (Valor Presente Líquido).

Está procurando dividendos? Clique aqui para saber a lista dos maiores pagadores da Bolsa.