Um dos principais debates no mercado financeiro é a questão da crise de crédito, principalmente após a falência do Silicon Valley Bank (SVB). Em entrevista ao Brazil Journal, Ricardo Lacerda, CEO da BR Partners, afirmou que está preocupado com a questão do crédito no Brasil. Com isso, ele avalia que o Banco Central (BC) pode ser forçado a reduzir os juros mais rapidamente do que o mercado espera.
“A gente vê uma clara deterioração do crédito para pessoas físicas e agora estamos vendo uma deterioração acelerada do crédito corporativo. Eu acho que isso vai acabar forçando o Banco Central a reduzir juros mais rapidamente do que o mercado está esperando”, explica.
Apesar disso, Lacerda reconhece que há obstáculos para reduzir os juros, como a questão fiscal. E para fazer isso, o executivo entende que o BC está esperando uma sinalização positiva do Governo. “Espero que essa sinalização venha e que a gente possa engajar a sociedade para debater a reforma tributária, que é o que realmente vai fazer uma grande diferença”, complementa.
O CEO da BR Partner concorda com a ala governista na questão da meta de inflação, visto que ela tem que ser realista.
“A crítica é pertinente em relação a estabelecer uma meta que seja realmente realista para que todo mundo possa persegui-la. […] A gente não tem que reinventar a roda em relação a conceitos básicos de economia que já foram superados ao longo das últimas décadas”, comentou.
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Ricardo Lacerda defende autonomia do Banco Central
O executivo inicia a reflexão afirmando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem o direito de expressar a opinião dele em relação à política monetária proposta pelo Banco Central.
“Isso não é uma coisa que só acontece no Brasil. A gente viu em vários países, presidentes da república questionando a política monetária, aperto de juros. O Trump [Donald Trump, ex-presidente dos EUA], por exemplo, foi muito veemente nas críticas que ele fez ao Fed [Federal Reserve] quando era presidente”, declara.
Na visão dele, o debate entre o governo e o BC é normal, visto que isso faz parte do jogo político.
Contudo, ele diz que preocupa com a crítica do presidente em relação a autonomia do BC, uma vez que ela é uma conquista da sociedade brasileira. Segundo Lacerda, se a independência da autarquia foi aprovada pelo Congresso Nacional, não é função do Presidente da República rever isso.
O CEO da BR Partner elogia o trabalho técnico do BC durante o período pandêmico e na alta dos juros por conta do avanço da inflação mesmo em ano eleitoral. Em sua análise, Lacerda cita que apenas um Banco Central independente permitiu que o órgão tomasse decisões “impopulares” durante as eleições, como o aperto monetário.
“Isso mostra claramente a independência do Banco Central porque se não fosse independente, teria favorecido o governo anterior, que foi aquele que o nomeou e que também acabou apoiando durante a eleição”, acrescenta.
De acordo com Ricardo Lacerda, há um aspecto técnico e uma lógica envolvida no trabalho do Banco Central relacionado à atividade econômica, ao desemprego, às metas de inflação e outros fatores relevantes. Entretanto, ele enfatiza que esse processo não é puramente científico, há uma arte envolvida nele, onde existem elementos que afetam a economia em momentos distintos e que devem ser considerados na decisão sobre a taxa de juros.
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