Home
Notícias
Economia
Aço nacional ainda precisa de mais proteção, diz BTG

Aço nacional ainda precisa de mais proteção, diz BTG

A avaliação é do BTG Pactual, que aponta que o setor precisa de uma atuação mais firme das autoridades para fechar brechas

O aço nacional ainda depende de medidas mais rigorosas para recuperar a rentabilidade da indústria brasileira, apesar dos primeiros sinais positivos trazidos pelas tarifas antidumping contra produtos chineses. A avaliação é do BTG Pactual (BPAC11), em relatório divulgado nesta segunda-feira (20), que aponta que o setor precisa de uma atuação mais firme das autoridades para fechar brechas que ainda permitem a entrada de aço importado no país.

Segundo o banco, os dados mais recentes do Instituto Aço Brasil (IABr) mostram que as importações voltaram a crescer em junho, após dois meses de forte retração. O volume importado alcançou 526 mil toneladas, alta de 42% em relação a maio, embora ainda permaneça 12% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025 e acumule queda de 18% no ano.

Na visão dos analistas, o movimento indica que as medidas antidumping impostas sobre aço laminado a frio (CRC), aço galvanizado e aço pré-pintado chineses começaram a alterar os fluxos comerciais, mas ainda não são suficientes para garantir uma recuperação consistente do mercado.

“O dado de junho reforça a necessidade de as autoridades brasileiras acelerarem o fechamento de rotas de triangulação e brechas relacionadas à reclassificação de códigos tarifários (NCM)”, afirma o BTG.

Vendas domésticas perdem força

Enquanto as importações voltaram a subir na comparação mensal, o mercado interno mostrou perda de fôlego. As vendas domésticas somaram 1,772 milhão de toneladas em junho, queda de 5% na comparação anual, desacelerando em relação ao crescimento de 7% registrado em abril.

Publicidade
Publicidade

A demanda aparente por aço também recuou. O consumo total ficou em 2,299 milhões de toneladas no mês, retração de 7% em relação a junho do ano passado. Apesar disso, o acumulado de 2026 segue positivo, com crescimento de 2,9%.

Para o BTG, a recuperação do aço nacional dependerá não apenas da manutenção das tarifas antidumping, mas principalmente da fiscalização para impedir que produtos chineses entrem no país por meio de terceiros mercados ou utilizando classificações tarifárias diferentes das originalmente atingidas pelas medidas comerciais.

Rentabilidade ainda distante do ideal

O banco avalia que a indústria brasileira somente conseguirá retornar a margens de Ebitda entre 12% e 15% quando houver maior disciplina nas importações.

Além disso, um novo fator de suporte pode surgir até o fim deste ano. Está em andamento a investigação antidumping envolvendo o aço laminado a quente (HRC) importado da China, cuja decisão final é esperada até dezembro.

No cenário internacional, o BTG destaca que o excesso estrutural de produção da China continua pressionando os preços globais do aço. Embora Pequim tenha intensificado o discurso sobre a redução da capacidade em setores como aço, painéis solares e veículos elétricos, os cortes efetivos de produção ainda são considerados limitados.

Preferência continua em empresas com exposição aos Estados Unidos

Diante desse cenário, o BTG mantém preferência por siderúrgicas com forte presença no mercado norte-americano, considerado mais protegido da concorrência internacional.

As principais recomendações seguem sendo Ternium e Gerdau (GGBR4). Segundo o banco, a Ternium negocia a cerca de 3,7 vezes o Ebitda projetado para 2026 e deve oferecer rendimento de fluxo de caixa livre de aproximadamente 14% em 2027. Já a Gerdau é negociada a cerca de 4,1 vezes o Ebitda deste ano, com fluxo de caixa livre estimado em 9%, além de gerar mais de 70% do Ebitda nos Estados Unidos.

Para os analistas, enquanto a proteção ao aço nacional avança de forma gradual, empresas com maior exposição ao mercado americano continuam oferecendo o melhor equilíbrio entre crescimento e rentabilidade.

Leia também: