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Dossiê LTN: conheça mais sobre esse título de Tesouro Pré-fixado

Dossiê LTN: conheça mais sobre esse título de Tesouro Pré-fixado

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

10 Abr 2022 às 10:00 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 11 min leitura

Redação EuQueroInvestir

10 Abr 2022 às 10:00 · 11 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

LTN

Reprodução/Pixabay

A LNT é um dos títulos disponíveis na plataforma do Tesouro Direto. Trata-se de um papel prefixado que conta com a garantia de um forte emissor. Estamos falando do Governo Federal brasileiro.

Para entender tudo sobre esse título, siga na leitura abaixo e fique por dentro de tudo que precisa saber para investir nesse papel.

Prossiga e tenha uma boa leitura!

O que é a LTN?

A sigla desse papel quer dizer Letra do Tesouro Nacional e se trata de um título público oferecido pelo governo brasileiro.

Ele pode ser encontrado na plataforma do Tesouro Direto, um ambiente virtual inaugurado em 2002 com o objetivo de facilitar o investimento da pessoa comum nos títulos públicos federais.

A LTN tem uma remuneração prefixada. Isso quer dizer que é uma modalidade de aplicação na qual é possível saber o rendimento já no ato que o dinheiro é investido.

Justamente por esse motivo, sua nomenclatura foi alterada na plataforma do Tesouro Direto em 2015, passando a chamar-se Tesouro Prefixado. Ou seja, LTN e Tesouro Prefixado são o mesmo papel.

Esse tipo de aplicação é muito útil para quem dispõem de tempo suficiente para deixar seu dinheiro aplicado até o prazo de vencimento. Ou seja, quem tem um bom planejamento financeiro pode se beneficiar desse papel.

A razão disso é que em casos de resgate antecipado, o título estará sujeito ao preço oferecido pelo mercado no instante em que se deseja fazer a venda da LTN.

Como veremos mais adiante, a depender das condições macroeconômicas o investidor pode resgatar menos dinheiro do que investiu. Mas isso só tem chance de acontecer em resgates antes do vencimento.

Ou seja, para quem tem um planejamento sólido, esse tipo de acontecimento pode não ter relevância nenhuma.

Quais são os tipos de Tesouro Prefixado existentes?

Para entender os tipos de Tesouro Prefixado que existem, convém chamá-los pelo nome dado em 2015 para que não haja confusão.

A primeira modalidade de título é a já citada LTN, conhecida também como “Tesouro Prefixado”. Seu modo de funcionamento é o mais tradicional, com o investidor aplicando seu dinheiro e recebendo uma taxa pré acordada.

Como exemplo, podemos citar um investidor que aplica em um Tesouro Prefixado com rentabilidade de 10% ao ano. Caso invista R$ 10 mil pelo prazo de 5 anos, resgatará um valor bruto de R$ 16.105,01.

A segunda categoria desse tipo de investimento é chamada de “Tesouro Prefixado com Juros Semestrais”. Seu segundo nome é NTN-F e quer dizer Nota do Tesouro Nacional — Série F.

Como se trata de um nome muito diferente do outro tipo de Tesouro Prefixado, a nome de referência para essa explicação foi a nova nomenclatura dada em 2015. Esse modo é mais simples de entender e causa menos confusão.

No caso do papel com pagamento de juros semestrais, o investidor recebe os juros acumulados a cada 6 meses. Ou seja, o pagamento da rentabilidade não se dá todo ao final do período, e sim de modo semestral.

Essa é uma boa modalidade de investimentos para quem já está em época de desfrutar do patrimônio acumulado, ou ainda quem quer um complemento de renda para custear os gastos com a manutenção de seu padrão de vida.

Vale destacar que o imposto de renda incidente sobre os rendimentos ocorrem de acordo com o prazo que a aplicação foi mantida. Assim, os primeiros pagamentos são impactados por uma alíquota maior.

Conforme o tempo passa, essa tributação diminui e o valor líquido passa a ser maior.

O que deve ser analisado ao investir em uma LTN?

Definitivamente, antes de aplicar em uma LTN o investidor precisa tomar ciência das condições macroeconômicas do país. A razão disso é para saber se os outros títulos do Tesouro Direto não seriam mais vantajosos.

Nesse sentido, é preciso analisar principalmente a taxa básica de juros do país, a Selic, e a inflação corrente no momento da aplicação.

Quando comparamos as três modalidades de títulos disponíveis hoje na plataforma do Tesouro Direto, podemos verificar que as outras duas opções são atreladas justamente a esses dois indicadores financeiros.

Sendo assim, quando qualquer um dos dois (ou os dois) está em elevação (ou já está em patamares elevados), a LTN deixa de ser vantajosa. A razão disso é simples: os outros títulos estão com uma rentabilidade maior.

E nesse ponto é importante destacar que a Selic e a inflação tem uma relação muito íntima. A taxa básica de juros serve de instrumento de controle da política monetária do país.

Assim, sempre que o governo deseja aumentar ou diminuir a liquidez, ele utiliza o artifício de aumentar ou diminuir a taxa Selic. E um dos grandes motivadores para isso é o nível da inflação do país.

Isso quer dizer que quando a inflação aumenta, é provável que os juros serão aumentados também. Com essas duas variáveis em alta, os papéis ligados a elas aumentam sua remuneração.

É nesse momento que a LTN deixa de ser atraente e seus títulos “irmãos” ganham destaque.

Outro ponto determinante a ser analisado antes de aportar recursos em uma LTN é a movimentação da curva de juros, principalmente se não se tem a previsibilidade que o dinheiro ficará aplicado até a data de vencimento do papel.

Isso é relevante porque se houver o resgate antecipado de uma LTN em períodos de elevação da taxa de juros, provavelmente o investidor resgatará menos recurso do que foi aplicado.

A razão para isso acontecer é um mecanismo conhecido no mercado como “marcação a mercado”. Por meio desse artifício, o investidor consegue sacar o valor antecipadamente, mas corre o risco de ter rentabilidade negativa.

Quais são os custos associados a uma LTN?

Pelo menos 4 custos podem incidir quando alguém faz um investimento em uma LTN. Dois deles sempre existirão, enquanto outros 2 podem ocorrer eventualmente.

Acompanhe a seguir a explicação de cada um deles. Confira.

Taxa de administração

A taxa de administração pode ser cobrada pela instituição financeira na qual o investidor mantém suas aplicações. Sendo assim, varia de uma instituição para outra.

No entanto, atualmente há uma grande quantidade de corretoras de valores que isentam seus clientes dessa cobrança como forma de atrair mais investidores para sua base.

Cabe a cada um escolher a situação que melhor atende seus objetivos. Sendo assim, podemos considerar que a taxa de administração tem uma possibilidade de incidir, mas não uma certeza.

Taxa de custódia

Já a taxa cobrada a título de custódia dos títulos do Tesouro Direto (e portanto da LTN) não são opcionais. Ela sempre incide pois é cobrada pela própria bolsa de valores, a B3 (Bolsa, Brasil, Balcão).

Sua alíquota é de 0,20% ao ano sobre o montante total, que é o somatório do valor investido mais o rendimento acumulado no período. Esse valor foi reduzido em 2022 e antes era de 0,25% ao ano sobre o montante.

Vale destacar que essa cobrança não incide de uma só vez. Ela é dividida em dois descontos com um deles acontecendo no primeiro dia útil de janeiro e o outro no primeiro dia útil de julho.

Imposto de renda

Assim como a taxa de custódia, o imposto de renda sempre incidirá sobre as aplicações em LTN. Logicamente, essa tributação é cobrada sobre os rendimentos apenas, e não sobre o capital principal.

Como se trata de um investimento do mercado de renda fixa, as alíquotas incidentes em uma LTN seguem a tabela progressiva de tributação de imposto de renda da Receita Federal do Brasil.

Sendo assim, todo o rendimento que ocorrer até 180 dias a partir do momento da aplicação pagará imposto na alíquota de 22,50%; para um período de aplicação entre 181 dias e 360, o imposto de renda é de 20%.

Já para períodos entre 361 e 720 dias, a alíquota reduz para 17,50%. Finalmente cai para seu valor mínimo de 15% para tempos superiores a 720 dias.

Vale destacar que o imposto de renda é retido na fonte e o investidor não precisa se preocupar em fazer contas nem em preencher o carnê leão para apurar o valor devido.

IOF

Por fim, pode ser que haja incidência do Imposto Sobre Operações Financeiras, mais conhecido como IOF. No entanto, essa possibilidade só existe se o investidor pedir o resgate do valor investido até 30 dias da aplicação.

Para saber qual é o valor que o investidor está exposto caso resolva sacar seu dinheiro nesse período, basta considerar que ele é proporcional ao tempo que ficou aplicado.

Ou seja, ele diminui com o passar dos dias. No segundo dia, por exemplo, o imposto incide em apenas 96% de seu total. No segundo dia 96% e assim por diante.

No trigésimo dia esse valor é zerado e nunca mais será cobrado IOF sobre o valor resgatado. É bom que o investidor tenha consciência dessa possibilidade antes de resolver investir em uma LTN.

Quais são as vantagens de investir em LTN?

A LTN pode oferecer vantagens interessantes a seus investidores. Três delas merecem destaque e por isso são explicadas de forma mais detalhada a seguir. Acompanhe.

Previsibilidade

A LTN é um título financeiro prefixado. Isso quer dizer que o investidor já sabe de antemão qual será o rendimento final da aplicação no momento que aporta seu dinheiro.

Com isso, é possível fazer projeções que sejam totalmente previsíveis, pois se o valor permanecer investidor até o prazo de vencimento ele saberá o quanto terá de retorno.

E isso vale tanto para o Tesouro Prefixado que paga os juros no final do período quanto para o que tem seus pagamentos feitos de modo semestral.

Para que tudo o que foi escrito acima tenha validade, é preciso que o investidor permaneça com seu título até o dia do vencimento. Do contrário, estará sujeito ao mecanismo de marcação a mercado e a previsibilidade cai por terra.

Isenção do cenário macroeconômico

Essa é outra boa vantagem da LTN. Como sua taxa de rendimento é fixada no ato da aplicação, não interessa o que aconteça com o cenário macroeconômico.

Isso quer dizer que, diretamente, a taxa básica de juros e a inflação não são capazes de influenciar na rentabilidade de uma LTN que fica com o investidor até o dia do vencimento.

Independente das decisões governamentais, o valor recebido será aquele que foi acordado quando da compra do título.

Novamente, vale frisar que isso é válido quando não há resgate antecipado, ou seja, quando o papel é mantido por todo o seu período de validade.

Segurança

Por fim, nunca é demais lembrar que a LTN é um dos títulos emitidos pelo Governo Federal do Brasil. Isso quer dizer que ele conta com uma ótima segurança, ainda que não seja coberto pelo FGC.

Como o emissor é o mandatário máximo do país e não tem histórico de calote, o risco de crédito é muito baixo. Só não se pode dizer que não existe porque quase tudo nesse mundo é possível.

Para entender melhor essa afirmativa, basta pensar que em último caso, o governo pode imprimir dinheiro para pagar sua dívida.

Assim, nenhum compromisso deixaria de ser honrado, ainda que a inflação subisse bastante por conta dessa impressão de papel moeda.

É possível ter rendimento negativo investindo em LTNs?

Por pior que possa parecer a afirmação acima, sim, é possível ter rendimento negativo em uma LTN se alguns fatores não forem bem observados.

O primeiro deles e mais importante diz respeito unicamente ao fato de que, para isso ocorrer, é necessário que o investidor faça o resgate do valor investido antes do fim do vencimento da LTN.

Ou seja, se o investimento permanecer até seu prazo final, certamente o valor recebido será acima do que foi aplicado.

No entanto, se a curva de juros estiver em ascenção e a taxa Selic estiver mais alta do que quando o investimento foi feito, provavelmente o valor resgatado será abaixo do que foi investido.

Isso ocorre por conta da marcação a mercado que o título sofrerá. Como se trata de um papel prefixado, seu valor final nunca muda. É sempre o mesmo para fins de cálculo.

Como a curva de juros que remunera o papel sofre aumento por ocasião da elevação da Selic, o valor inicial (valor aportado) precisa ser menor para corresponder ao montante final já fixado no início da aplicação.

Assim, quem não observar esses detalhes e fizer um resgate antecipado de uma LTN em períodos de alta na curva de juros pode ter rendimentos negativos no final das contas.

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