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LFT: entenda o título que hoje aparece como Tesouro Selic

LFT: entenda o título que hoje aparece como Tesouro Selic

Saiba o que é a LFT, nome técnico do atual Tesouro Selic, como esse título funciona, quais são seus riscos, custos e por que ele costuma ser usado como reserva de emergência

A LFT é um dos títulos públicos mais conhecidos do mercado brasileiro. A sigla significa Letra Financeira do Tesouro e, hoje, esse papel aparece no Tesouro Direto com o nome de Tesouro Selic. Na prática, trata-se de um título pós-fixado, atrelado à taxa básica de juros da economia brasileira.

Esse é justamente o ponto que explica a popularidade do papel. Como acompanha a Selic e tende a sofrer menos com oscilações de preço em resgates antecipados do que outros títulos públicos, o Tesouro Direto o apresenta como o título ideal para reserva de emergência, além de destacar sua segurança e liquidez.

O que é uma LFT

A LFT é um título público federal emitido pelo Tesouro Nacional. Ao investir nesse papel, o investidor está emprestando dinheiro ao governo em troca de uma remuneração vinculada à Selic. No ambiente atual do Tesouro Direto, esse título é chamado de Tesouro Selic, e não mais de LFT na vitrine principal.

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Isso importa porque muita gente ainda pesquisa pela sigla antiga. Então, vale deixar claro logo de saída: LFT e Tesouro Selic são o mesmo título, apenas com nomenclaturas diferentes.

Como a LFT funciona

A LFT é um título pós-fixado. Isso significa que sua rentabilidade acompanha a variação da Selic ao longo do tempo, e não uma taxa travada desde o início, como ocorre no Tesouro Prefixado. Por isso, o investidor sabe qual é o indexador do papel no momento da compra, mas não conhece exatamente o valor final do rendimento até o vencimento ou resgate.

Esse título costuma ser usado quando o investidor quer manter uma aplicação conservadora, com alta liquidez e baixa sensibilidade às oscilações de mercado. É justamente essa característica que faz do Tesouro Selic um instrumento tão associado à reserva de emergência.

O que é a taxa Selic

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela é definida pelo Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, em reuniões regulares ao longo do ano. Como essa taxa influencia o custo do dinheiro na economia, ela também afeta o rendimento do Tesouro Selic.

Quando a Selic sobe, a rentabilidade do Tesouro Selic tende a subir também. Quando a Selic cai, o rendimento do papel tende a acompanhar esse movimento. É por isso que a LFT é classificada como um título pós-fixado.

Qual é a diferença entre LFT e LTN

Apesar de as siglas parecerem próximas, os papéis são bem diferentes.

A LFT é o atual Tesouro Selic, com rentabilidade atrelada à taxa básica de juros. Já a LTN é o nome antigo do atual Tesouro Prefixado, em que a taxa é definida no momento da compra. Em outras palavras, a LFT acompanha a Selic, enquanto a LTN trava uma taxa fixa até o vencimento.

Essa diferença muda bastante o uso de cada papel. O Tesouro Selic tende a funcionar melhor para liquidez e reserva. O Prefixado costuma fazer mais sentido quando o investidor quer travar retorno e consegue carregar o título até o vencimento.

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Quais são as principais características da LFT

A principal característica da LFT é combinar baixo risco de crédito, alta liquidez e rendimento atrelado à Selic. Como se trata de um título público federal, o Tesouro Direto o classifica dentro do conjunto de investimentos mais seguros do país.

Outro ponto relevante é a liquidez. O Tesouro Direto informa que o investidor pode pedir o resgate em dias úteis e, se a solicitação for feita até 13h, o dinheiro pode cair no mesmo dia. Depois desse horário, o crédito tende a ocorrer no próximo dia útil.

LFT tem risco?

Tem, mas em grau mais baixo do que muitos outros ativos.

O primeiro é o risco de crédito, que existe em qualquer aplicação financeira. No caso do Tesouro Selic, esse risco é considerado muito baixo porque o emissor é o Tesouro Nacional, referência de segurança de crédito no mercado brasileiro.

O segundo é o risco de mercado, embora ele seja bem menor no Tesouro Selic do que em títulos prefixados ou atrelados ao IPCA. Isso acontece porque o Tesouro Selic sofre menos com marcação a mercado, razão pela qual é normalmente indicado para objetivos que exigem liquidez.

Ainda assim, é melhor evitar frases absolutas como “nunca perde” ou “sempre rende bem”. O papel pode não entregar ganho real relevante em cenários de inflação muito alta, e o retorno líquido depende também de impostos e custos. Essa é justamente a diferença entre segurança nominal e resultado real para o investidor.

Quais são os custos da LFT

O Tesouro Direto cobra dois tipos principais de taxa: a taxa de custódia da B3 e a eventual taxa da instituição financeira. A taxa de custódia padrão é de 0,2% ao ano, calculada sobre o valor dos títulos e provisionada diariamente.

No caso do Tesouro Selic, há uma regra importante: não há taxa de custódia para valores de até R$ 10 mil por CPF. Acima desse montante, a cobrança incide apenas sobre o excedente.

Além disso, pode haver taxa cobrada pelo banco ou corretora, embora muitas instituições hoje trabalhem com taxa zero para Tesouro Direto.

Impostos da LFT

A LFT segue a tributação tradicional da renda fixa.

Há cobrança de IOF em resgates feitos em menos de 30 dias e de Imposto de Renda regressivo, conforme o prazo da aplicação. O IR incide apenas sobre o rendimento, não sobre o principal investido.

Como investir em uma LFT

Para investir em uma LFT, o investidor precisa ter CPF e conta em uma instituição habilitada no Tesouro Direto. As aplicações podem ser feitas em múltiplos de 0,01 título ou 1% do valor de um título, o que torna o acesso relativamente simples para quem está começando.

Esse ponto é importante porque muitos textos antigos ainda travam o conteúdo em um valor fixo mínimo, quando a regra oficial do programa está vinculada à fração do título.

Para quem a LFT é indicada

A indicação mais clássica da LFT é a reserva de emergência. O próprio Tesouro Direto posiciona o Tesouro Selic dessa forma, destacando sua liquidez e menor impacto de flutuações de mercado.

Ela também pode funcionar como reserva de oportunidade, ou seja, como um lugar conservador para deixar recursos enquanto o investidor espera o momento de realocar o capital para outros ativos. Nesse caso, a liquidez ajuda bastante.

Vale a pena investir em LFT?

Na maior parte dos casos, sim, especialmente quando o objetivo é liquidez, segurança e simplicidade.

A LFT não é o título ideal para tudo. Ela não substitui papéis de longo prazo voltados a ganho real acima da inflação, por exemplo. Mas continua sendo uma peça bastante forte para caixa, reserva de emergência e parte conservadora da carteira.

Infográfico LFT
Imagem gerada pela IA Nano Banana Pro

FAQ sobre LFT

Veja abaixo as respostas das principais dúvidas sobre as LFTs:

O que é LFT?

LFT é a Letra Financeira do Tesouro, nome técnico do atual Tesouro Selic.

LFT e Tesouro Selic são a mesma coisa?

Sim. Hoje, no Tesouro Direto, a LFT aparece com o nome de Tesouro Selic.

A LFT é prefixada?

Não. A LFT é um título pós-fixado, atrelado à taxa Selic.

A LFT é indicada para reserva de emergência?

Sim. O Tesouro Direto apresenta o Tesouro Selic como título ideal para esse objetivo, por causa da liquidez e do menor impacto das oscilações de mercado.

Qual é a taxa de custódia da LFT?

A taxa padrão é de 0,2% ao ano, mas no Tesouro Selic há isenção até R$ 10 mil por CPF, com cobrança apenas sobre o excedente.

Posso resgatar a LFT antes do vencimento?

Sim. O Tesouro Direto permite venda antecipada, e os resgates pedidos até 13h em dias úteis podem ser liquidados no mesmo dia.

Cláudia Zucare
Escrito porCláudia Zucare Editora-chefe

Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV, MBA em Finanças e Educação Financeira pela Unisinos, e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.