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Dossiê LFT (Tesouro Selic): conheça a Letra Financeira do Tesouro!

Dossiê LFT (Tesouro Selic): conheça a Letra Financeira do Tesouro!

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

10 Abr 2022 às 10:00 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 11 min leitura

Redação EuQueroInvestir

10 Abr 2022 às 10:00 · 11 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

LFT

Reprodução/Pixabay

Investir em uma LFT é uma ótima alternativa do mercado de renda fixa. Trata-se de um título seguro, de alta liquidez e com rentabilidade pós-fixada, o que garante um rendimento sempre positivo.

Acompanhe nosso artigo para saber tudo sobre esse papel do Tesouro Nacional.

Siga em frente!

O que é uma LFT?

O significado da sigla quer dizer Letra Financeira do Tesouro. Ela é mais conhecida por sua outra nomenclatura, o famoso Tesouro Selic.

Trata-se de um dos 3 tipos de títulos públicos disponíveis atualmente na plataforma do Tesouro Direto. Esse é o ambiente digital de negociação dos papéis do governo inaugurado no ano de 2002.

Foi uma novidade tecnológica que contribuiu muito para a popularização desse tipo de investimento. Infelizmente, mesmo assim a poupança ainda é o (pior) investimento preferido dos brasileiros. Mas vem mudando aos poucos.

Quem investe em uma LFT está emprestando dinheiro ao Governo Federal com a promessa de receber o valor no futuro acrescido de juros. Ou seja, o investidor espera ser remunerado pelo período de empréstimo.

No caso da LFT, a remuneração é do tipo pós-fixada. Ela é categorizada assim por ser indexada a um indicador que nesse caso é a taxa Selic.

Veja a seguir mais informações a respeito do índice que a LFT acompanha no mercado. Confira.

Taxa Selic

Como a taxa Selic é o indexador da LFT, vale muito a pena saber mais sobre ela. Afinal de conta, o rendimento desse título do governo dependerá da fixação de seu valor.

A taxa Selic nada mais é do que a taxa básica de juros da economia brasileira. Todo país a possui e no nosso caso temos o Sistema de Liquidação e Custódia, significado da sigla Selic.

É o governo quem decide qual será o seu valor. Isso é feito pelo Banco Central por meio do Copom, o Comitê de Política Monetária. É sua responsabilidade conduzir a política monetária do país.

Para isso, ocorrem reuniões a cada 45 dias, perfazendo um total de 8 encontros por ano. Nessas reuniões, participantes especiais decidem qual será o destino da taxa: se aumenta, diminui ou permanece como está.

Existem diversos fatores que influem na tomada de decisão em relação à taxa e eles estão diretamente ligados à macroeconomia do país. Assim, o governo usa a taxa Selic para aumentar ou diminuir a liquidez do mercado.

Esse é um artifício também de controle da inflação. Caso o consumo das famílias esteja acelerado e aumente a inflação, o governo pode elevar a taxa para reduzir o índice de preços.

Vale ressaltar que a taxa Selic também regula o custo de crédito no país, além de estar diretamente ligado à remuneração dos papéis emitidos pelo governo. Em consequência, é o referencial de todo o rendimento da renda fixa.

Qual é a diferença entre LFT e LTN?

Apesar de terem o nome bem parecido, LFT e LTN não são a mesma coisa. Por tabela, oferecem formas diferentes de rentabilizar o capital do investidor que foi aplicado.

Enquanto a primeira é a Letra Financeira do Tesouro, a segunda é a Letra do Tesouro Nacional. Esta última também é mais conhecida pelo nome de Tesouro Prefixado.

Como a própria nomenclatura indica, o modelo de rendimento é diferente entre as duas: a LFT remunera o investidor de forma pós-fixada. Isso quer dizer que ela é atrelada a um índice financeiro e não se sabe quanto renderá no final.

Já a LTN tem seu rendimento feito de forma prefixada. Isso quer dizer que sua rentabilidade não depende nem mesmo das condições de mercado, pois o rendimento já é fixado no momento da aplicação.

LTNs com rendimento de 10% ao ano, por exemplo, entregarão essa taxa ao investidor, independente do que aconteça e considerando que o investimento será mantido até o prazo de vencimento.

O mesmo não acontece com a LFT, que depende do valor da taxa Selic para remunerar mais ou menos o seu investidor.

Quais são as principais características de uma LFT?

A seguir apresentamos as principais características de uma LFT.

Liquidez

Uma das características mais fortes de uma LFT é a sua liquidez. Por liquidez deve-se entender a capacidade com que uma aplicação financeira pode se transformar em dinheiro.

Para efeito de entendimento, os imóveis possuem baixa liquidez porque demoram para ser transformados em dinheiro.

Já no caso da LFT isso não ocorre: sempre que o investidor precisar resgatar seu dinheiro, conseguirá fazer isso sem problema algum. Há muitos comprados para os títulos do Tesouro no mercado secundário.

Assim, o recurso investido obedece ao prazo de liquidação de D+1. Ou seja, o investidor faz seu pedido de resgate em um dia e recebe o dinheiro no dia útil seguinte.

Além disso, vale destacar que toda a rentabilidade acumulada no período será paga ao investidor, descontados os impostos, é claro.

Situação diferente acontece na poupança, que tem liquidez diária mas só rentabiliza o investidor se o recurso ficar aplicado até o dia de “aniversário” da poupança.

Veja mais sobre a rentabilidade da LFT a seguir.

Rentabilidade

Conforme já mencionado, o rendimento de uma LFT é indexado à taxa Selic. Na prática, isso significa que ela renderá exatamente seu valor acrescido de um pequeno percentual, que varia conforme o vencimento do título.

Assim, nunca é possível saber qual será o rendimento final de uma LFT. Apenas tem-se a certeza que será positivo.

Isso acontece porque a taxa pode ser alterada em qualquer reunião do Copom, para mais ou para menos, além de ficar no mesmo patamar.

Logo, se o Copom resolve por aumentar a taxa Selic, a LFT renderá mais. Se a Selic baixa, o rendimento da LFT é reduzido também.

Para ficar mais claro, entenda que a rentabilidade de uma LFT é calculada diariamente, mesmo com seu percentual de rendimento sendo expresso no formato anual.

Assim, se ela está fixada a 10% ao ano, rende diariamente em relação a esse valor. Se o Copom aumenta a Selic para 11% ao ano, no dia seguinte seu rendimento diário passa a ser maior.

Daí o fato que nunca se sabe o valor final do rendimento, o que confere a característica de título pós-fixado a LFT.

Quais são os riscos de uma LFT?

Veja os 2 principais riscos presentes em uma LFT.

Risco de crédito

Toda aplicação financeira está sujeita ao risco de crédito. Simplesmente não existe investimento isento desse risco e com a LFT não é diferente.

No entanto, é muito importante frisar que esse risco é extremamente baixo para os papéis emitidos pelo Governo Federal. Nosso país não tem histórico de calote da dívida pública e isso é um excelente ponto a favor.

Além disso, o governo tem uma cartada na manga que só ele detém: em último caso, é possível imprimir dinheiro para pagar seus compromissos. Isso aumentaria a inflação, mas pagaria a dívida.

Vale ressaltar que diz-se em último caso porque ainda existe a possibilidade de aumento de impostos, por exemplo. Ou seja, essa seria uma espécie de última medida a tomar em caso de algum crise severa.

Sendo assim, o risco de crédito existe sim, porque isso faz parte de toda aplicação financeira. No entanto, no caso da LFT e dos demais títulos do governo federal esse risco é muito baixo.

Por tal característica, os papéis do Tesouro Nacional costumam ser considerados os mais seguros de todo o mercado financeiro brasileiro.

Risco de mercado

Outro risco pertinente a todas as aplicações financeiras é o risco de mercado, ou seja, o risco sistêmico. E nesse ponto, existem duas possibilidades que podem afetar o investimento em uma LFT.

A primeira delas e mais remota é o risco de catástrofe econômica. Isso pode acontecer por governos extremamente desastrosos que pouco a pouco podem destruir a economia de um país.

Isso não é tão difícil de acontecer, pois o Brasil já enfrentou períodos assim recentemente e temos os exemplos de outros países da América Latina que seguiram por esse caminho, infelizmente.

Nesse caso, um título público valeria praticamente nada, pois a moeda de países nessa situação geralmente enfrentam grandes taxas inflacionárias.

O segundo ponto que o risco sistêmico pode afetar uma LFT é com um período prolongado de juros baixos combinado com alta da inflação.

Nesse caso, o investidor teria um rendimento real negativo do valor investido. Na prática, isso significa perder dinheiro, pois o rendimento auferido não supera a inflação.

Logicamente esse risco não se refere a perder o valor investido, mas sim de ter sua aplicação desvalorizando o dinheiro, quando na verdade a intenção é exatamente a oposta.

Por isso é sempre importante conhecer as taxas Selic e de inflação para entender quando vale a pena alocar recursos em uma LFT.

Como investir em uma LFT?

O primeiro passo para investir em uma LFT é ter (ou abrir) uma conta em uma instituição financeira. Esta pode ser um banco ou uma corretora, e existem diferenças entre essas duas modalidades.

Certamente, o ponto mais significativa entre essas duas escolhas é a presença de profissionais que são especialistas em investimentos nas corretoras, além de geralmente ter custos menores.

Não é que não existam especialistas financeiros em bancos, mas o fato é que essa pessoa não é o gerente de conta e eles estão disponíveis geralmente somente aos clientes de alta renda.

Como o foco em uma corretora é somente os investimentos, há pessoas disponíveis para atender todos os tipos de perfil de clientes que querem investir melhor.

Além disso, há uma plataforma que oferece produtos financeiros de todo o mercado, e não somente de uma única instituição como é o caso dos bancos (eles só oferecem os produtos deles, geralmente).

Feito essa parte, é preciso receber os dados de acesso, como login e senha. Provavelmente será necessário enviar alguns documentos pessoais, mas o formato digital é aceito e isso agiliza muito todo o processo.

Quando tudo isso estiver completo, o investidor estará apto a começar seus investimentos e poderá então adquirir uma Letra Financeira do Tesouro no prazo de vencimento que julgar melhor.

Quais são as vantagens de investir em uma LFT?

Existem diversas vantagens que podem ser conseguidas ao investir em uma LFT. No entanto, isso dependerá de cada investidor de acordo com os seus objetivos de investimentos.

De forma geral, a liquidez costuma ser um benefício muito grande de uma LFT. É possível ter o dinheiro investido de volta de uma forma muito prática e rápida.

Juntamente a isso vem a praticidade de recolhimento do imposto de renda sobre o rendimento auferido. Acontece que ele é retido na fonte e o investidor não precisa se preocupar em fazer cálculos e recolhimento por meio do carnê leão.

Sua barreira de entreda é baixa e isso favorece o pequeno investir. Além disso, se trata de um dos títulos mais seguros do mercado, ao lado dos outros papéis emitidos pelo Governo Federal.

Para quem é indicado o investimento em LFT?

Existem duas boas indicações de uso de uma LFT como instrumento financeiro. A primeira delas e mais conhecida é como reserva de emergência.

O dinheiro aportado nessa aplicação conta com a segurança oferecida pelo Tesouro Nacional, tem alta liquidez e rende um valor próximo à taxa Selic, bem acima da poupança.

Assim, manter recursos nesse investimento traz previsibilidade ao investidor e isso faz com que se possa contar com esse dinheiro em situações de emergência. Nesse caso, podem haver as mais situações possíveis.

A perda de um emprego pode fazer com que o valor investido em uma LFT cubra os gastos com o custo de vida até conseguir outra ocupação. Tratamentos de saúde também podem ser considerados, caso não haja plano de saúde.

A outra maneira de utilizar o investimento em LFT é como reserva de oportunidade. Não raro, o mercado apresenta boas “pechinchas” no mercado de renda variável, tanto no Brasil quanto no exterior.

Nesses momento, o capital alocado em LFT pode ser deslocado para essas aplicações a fim de aproveitar a oportunidade disponível.

Independente de qual for o uso, o investidor deve repor a reserva em LFT assim que possível. O ideal é que ela esteja sempre disponível para o uso em qualquer um dos dois casos.

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