A Weg (WEGE3) terá uma disputa com a China no mercado de BESS (sistemas de armazenamento de energia em baterias) que “não pode ser negligenciada” – essa é a conclusão da XP Investimentos após uma viagem de seus analistas à China para analisar o setor de armazenamento de energia.
Apesar de enxergar o segmento como uma avenida sólida de crescimento para a companhia, a casa alerta para a intensificação da competição e a pressão sobre margens.
“BESS permanece como uma avenida relevante de crescimento dentro da transição energética, apoiada por necessidades de estabilidade da rede e novos pipelines de leilões”, avaliaram os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes.
Contudo, a expansão acelerada da capacidade chinesa está cada vez mais empurrando players locais para mercados externos.
Excesso de oferta chinês pressiona preços globais
A indústria de BESS vem sendo crescentemente influenciada pelo rápido avanço da capacidade instalada na China, cujas adições crescem mais rápido do que a demanda doméstica. Isso cria a necessidade de expansão internacional por parte dos players chineses, reforçando uma estratégia mais voltada a exportações.
“A expansão de capacidade na China está cada vez mais empurrando players locais para mercados externos, adicionando pressão competitiva nos mercados globais, especialmente onde as decisões de compra são sensíveis a preço”, destacaram Laghi, Urbano e Nippes.
A vantagem de custo chinesa é estrutural e difícil de replicar no curto prazo.
Os sistemas chineses apresentam custo materialmente inferior ao de soluções comparáveis nos EUA e na Europa, explicado pela economia das baterias e pela integração vertical da cadeia de suprimentos.
Funding subsidiado pelo governo reduz ainda mais o custo de capital e sustenta uma precificação agressiva nos mercados internacionais.
Trade-off entre crescimento e lucratividade
O principal debate para os analistas é o equilíbrio entre crescimento e rentabilidade. A adoção de BESS permanece robusta, mas a competição crescente vem pressionando os preços dos sistemas e os retornos ao longo de toda a cadeia de valor.
“Vemos essa dinâmica como relevante para players brasileiros como WEG e Moura, que podem enfrentar competição mais intensa à medida que as exportações chinesas continuem aumentando”, alertaram os analistas da XP.
No Brasil, requisitos de conteúdo local e serviços de manutenção domésticos seguem como barreiras relevantes à entrada dos competidores chineses. Entretanto, os analistas ressaltam que “competição e deflação de preços permanecem como riscos para a lucratividade geral dentro desse segmento” — uma mensagem central trazida da visita à China.
Weg bem posicionada, mas margens de BESS serão inferiores
A XP segue vendo a Weg bem posicionada para capturar a tendência de crescimento em BESS, especialmente pelo componente de conteúdo local exigido no próximo leilão, que deve beneficiar players com manufatura estabelecida no Brasil.
“Após nossa recente viagem à China, acreditamos que a competição não deve ser negligenciada. Players chineses estão olhando ativamente para a oportunidade brasileira”, afirmaram Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes.
A conclusão da casa é que o segmento de BESS será uma avenida incremental de crescimento para a Weg, reforçando sua exposição à eletrificação e a equipamentos ligados à rede.
Contudo, “vemos BESS como uma avenida sólida de crescimento para a WEG, mas com níveis de lucratividade inferiores às margens consolidadas da companhia”, concluíram os analistas, sinalizando que o impacto positivo no crescimento virá acompanhado de alguma pressão sobre a rentabilidade do grupo.






