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Usiminas mostra sinais melhores no 4T, mas tese ainda depende do antidumping

Usiminas mostra sinais melhores no 4T, mas tese ainda depende do antidumping

Resultados vieram em linha com o esperado, com geração de caixa relevante e outlook mais construtivo, enquanto o mercado passa a monitorar o impacto das medidas antidumping sobre o setor de aço

A Usiminas (USIM5) reportou EBITDA de R$ 417 milhões no quarto trimestre de 2025, resultado considerado em linha com as estimativas e levemente acima das expectativas do mercado, segundo o BTG Pactual (BPAC11) sobre os números da companhia.

De acordo com o banco, o trimestre também foi marcado por uma geração de fluxo de caixa livre sólida, ainda que sustentada por uma liberação favorável de capital de giro, movimento que contribuiu para levar a alavancagem para uma posição de caixa líquido no período.

Para os analistas Leonardo Correa e Marcelo Arazi, apesar da ausência de uma surpresa operacional relevante, a leitura é de que os resultados tendem a ser bem recebidos pelo mercado.

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Balanço Usiminas: Guidance mais construtivo para o início de 2026

Além dos números do trimestre, o BTG destacou a sinalização da administração para o primeiro trimestre de 2026, com indicação de margens melhores e crescimento de EBITDA.

Segundo o relatório, a expectativa é de melhora operacional impulsionada por um mix de produtos mais favorável e preços mais altos, mesmo em um cenário ainda marcado por pressões de custos.

“A administração apresentou uma perspectiva mais construtiva para o primeiro trimestre, apontando para margens melhores e crescimento de EBITDA, impulsionados por um mix de produtos aprimorado e preços mais elevados, apesar das pressões de custos”, afirmaram os analistas.

Agenda de antidumping entra no centro da tese

Mais do que os números do trimestre, o relatório aponta que o debate de investimento sobre a Usiminas passa a se concentrar na agenda de antidumping, após a aprovação de medidas sobre produtos laminados a frio e galvanizados pelo GECEX, ainda pendentes de publicação oficial.

Na avaliação do BTG, esse movimento pode funcionar como um catalisador relevante para a ação, já que uma parcela significativa do portfólio da companhia passa a estar sujeita às novas tarifas, o que pode melhorar a dinâmica do setor ao longo do tempo.

Ainda assim, os analistas adotam cautela em relação ao repasse efetivo dessas medidas aos preços.

“Embora o fluxo de notícias sobre antidumping seja encorajador, permanecemos cautelosos quanto ao repasse efetivo de preços, diante de riscos como triangulação e especificações de produtos”, destacou o banco.

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Recomendação neutra e recuperação ainda com visibilidade limitada

Diante do cenário, o BTG Pactual manteve recomendação neutra para a Usiminas, ressaltando que a visibilidade sobre uma recuperação mais consistente dos resultados ainda é limitada neste momento.

“Mantemos nossa recomendação neutra para a Usiminas, uma vez que a visibilidade sobre uma possível recuperação dos lucros ainda é limitada nesta fase”, escreveram os analistas.

O relatório também aponta que o ambiente para o aço segue desafiador, marcado por excesso de oferta global e elevada penetração de importações no Brasil, fatores que continuam pressionando os preços domésticos, mesmo com os primeiros sinais operacionais mais construtivos observados no trimestre.