A Brava Energia (BRAV3) deu um passo relevante em sua estratégia de consolidação ao obter autorização provisória do tribunal arbitral para avançar na incorporação da fatia remanescente de 37,5% do campo de Papa-Terra (PPT), atualmente ligada à NTE. Embora a decisão ainda não seja definitiva, o sinal é visto pelo mercado como positivo e pode abrir caminho para que a companhia passe a deter 100% do ativo, destravando geração adicional de caixa.
Segundo relatório do BTG Pactual (BPAC11), na prática, o movimento aumenta a probabilidade de consolidação integral do campo, um ativo considerado estratégico para a empresa. O timing é particularmente importante: já no próximo mês, a Brava pretende iniciar a perfuração de dois novos poços em Papa-Terra, o que reforça a relevância de ter controle total sobre a operação.
Mesmo antes da decisão, analistas já trabalhavam com a premissa de que a Brava arcaria com a totalidade dos investimentos (capex) e dos custos operacionais (opex) do campo. Com a eventual incorporação dos 100%, a companhia passaria também a capturar integralmente os resultados do ativo, fortalecendo a geração de caixa em um momento em que o fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) projetado para 2026 segue mais apertado.
“Vale lembrar que a Brava possui cerca de R$ 426 milhões em recebíveis junto à NTE ao final do 3TRI25 (terceiro trimestre de 2025), relacionados a chamadas de capital (cash calls) já descontadas dos volumes de venda de petróleo do campo. Esse montante será definido no processo arbitral e pode se estender por algum tempo”, diz trecho do relatório.
Estimativas indicam que, em um cenário de consolidação total e desconsiderando cerca de R$ 0,9 por ação em recebíveis, o preço-alvo da ação poderia subir aproximadamente R$ 2,8 por papel, alcançando R$ 25,8 — ante R$ 23 nas projeções atuais.
Disputa arbitral
A autorização concedida pelo tribunal permite que a companhia avance no processo iniciado em 2024 para incorporar a participação adicional. A decisão, no entanto, é preliminar e pode ser revertida até a conclusão final da arbitragem.
Paralelamente, a empresa já iniciou os trâmites junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), embora ainda não esteja claro se a consolidação total da produção e dos resultados ocorrerá de forma imediata ou ao longo do tempo.






