O banco Safra divulgou as prévias dos resultados do primeiro trimestre de 2026 para os dois principais neobanks brasileiros – Nubank (ROXO34) e Inter (INBR32). O analista Daniel Vaz projeta trimestres sólidos para ambas as instituições, mas coloca a qualidade dos ativos no centro das atenções.
“Ao entrarmos no primeiro trimestre de 2026, esperamos que a sazonalidade típica do período pressione a qualidade dos ativos“, alerta Vaz.
O analista observa deterioração geral dos NPLs em todo o sistema financeiro e ressalta que será fundamental entender quanto dessa piora é explicada pela sazonalidade e quanto representa risco estrutural para as projeções.
Nubank: crescimento forte, opex em foco
Para o Nubank, o Safra projeta lucro líquido de US$ 926 milhões no primeiro trimestre — alta de 3,5% na comparação trimestral e de 66% na anual.
“O Nu continua apresentando um ritmo forte de originações e, além do efeito sazonal regular sobre a qualidade dos ativos no primeiro trimestre, ainda não mostra sinais de uma deterioração relevante nesse fronte”, avalia Vaz.
A carteira de crédito deve crescer 6,3% na comparação trimestral, com NIM 39 pontos-base maior. O lucro bruto projetado é de US$ 2,04 bilhões — alta de 5,1% trimestral e 55% anual. Contudo, o opex é o principal ponto de atenção: “deve crescer 70,1% na comparação anual, impulsionado pela expansão global, retorno ao escritório e investimentos em tecnologia”, destaca o analista.
Em qualidade de ativos, o NPL acima de 90 dias deve avançar 18 pontos-base para 6,8%, com custo de risco líquido de 15,4%.
“Para o Nu, isso deve se refletir nas métricas de crescimento”, aponta Vaz, que mantém recomendação de outperform (compra) com preço-alvo de US$ 22 para o papel.
(Imagem: Divulgação/ Banco Inter)
Inter: aversão a risco sob escrutínio
Para o Inter, o Safra projeta lucro líquido de R$ 394 milhões — alta de 5,1% trimestral —, com ROE (Return on Equity) de 15,4%. A carteira de crédito, excluindo antecipação de recebíveis, deve desacelerar para crescimento de 33% anual, ante 36% no quarto trimestre de 2025. “Para o Inter, acreditamos que o banco seja estruturalmente mais avesso a risco do que outros neobanks”, afirma Vaz.
O NIM bruto projetado é de 9,6%, com custo de risco crescendo 34 pontos-base na comparação trimestral — reflexo de maior inadimplência inicial em cartões de crédito e da maturação da carteira de consignado privado.
“O Inter já apresentou NPL pior que seus pares no quarto trimestre, e acreditamos que o primeiro trimestre mostrará se a atual postura de crédito é adequada para navegar o ambiente atual ou se algum aperto marginal será necessário”, pondera o analista.
As despesas totais devem recuar 3,2% na comparação trimestral, gerando melhora de 322 pontos-base na taxa de eficiência. O Safra mantém recomendação neutra para o Inter, com preço-alvo de US$ 10.
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