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Nubank aposta em inteligência artificial para ampliar vantagem competitiva

Nubank aposta em inteligência artificial para ampliar vantagem competitiva

Em entrevista analisada pelo BTG, David Vélez destaca eficiência operacional, uso de dados e expansão internacional como pilares da estratégia da fintech

O Nubank (ROXO34) pretende usar a inteligência artificial (IA) para ampliar sua vantagem competitiva, aumentar a eficiência operacional e avançar na expansão internacional. A estratégia foi detalhada pelo fundador e CEO da companhia, David Vélez, em entrevista ao podcast Invest Like the Best, apresentado por Patrick O’Shaughnessy, cujos principais pontos foram destacados em relatório do BTG Pactual (BPAC11).

Na avaliação do banco, a conversa oferece novas perspectivas sobre as prioridades estratégicas da fintech, especialmente em relação à capacidade de crescer em escala sem reproduzir a estrutura de custos dos bancos tradicionais. O documento também aborda as oportunidades de expansão no México, na Colômbia e nos Estados Unidos, além do potencial da IA para transformar a oferta de serviços financeiros.

Segundo Vélez, o Nubank atende aproximadamente 140 milhões de clientes com cerca de 10 mil funcionários. Como comparação, bancos tradicionais que atendem em torno de 100 milhões de clientes podem contar com aproximadamente 100 mil funcionários e 6 mil agências. O executivo estima que o custo de atendimento da fintech corresponda a apenas 3% do registrado pelos concorrentes tradicionais.

No Brasil, o Nubank reúne aproximadamente 120 milhões de clientes, alcançando mais de 65% da população adulta. Cerca de 60% de seus clientes utilizam a instituição como principal conta bancária, segundo os números apresentados por Vélez. A escala conquistada no mercado brasileiro sustenta a estratégia de crescimento da companhia, enquanto suas operações internacionais continuam em expansão.

IA pode inaugurar uma nova etapa de transformação

Para o executivo, a inteligência artificial representa uma segunda onda de transformação do setor bancário, após a migração dos serviços das agências físicas para os aplicativos de celular. A tecnologia poderá ampliar a personalização dos serviços, aprimorar a análise de risco e automatizar decisões, criando novas oportunidades para instituições com grandes bases de clientes e infraestrutura tecnológica moderna.

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O Nubank acumulou entre 20 mil e 30 mil pontos de dados por cliente ao longo de seus 13 anos de operação, de acordo com Vélez. Após a aquisição da Hyperplane, a empresa também desenvolveu um modelo fundamental próprio voltado a serviços financeiros. A combinação de dados, tecnologia e decisões orientadas por modelos analíticos é apontada pelo CEO como um diferencial competitivo da instituição.

Entre as aplicações da IA estão a avaliação de risco de crédito, a prevenção a fraudes e a tomada de decisões operacionais. A tecnologia também pode ajudar a ampliar o acesso ao crédito para pessoas e pequenos negócios que não possuem histórico financeiro suficiente nos modelos tradicionais de avaliação.

Vélez estima que aproximadamente 3 bilhões de pessoas no mundo ainda não tenham acesso ao crédito. Nesse contexto, os pagamentos digitais podem criar históricos de transações que permitam às instituições avaliar melhor esses consumidores e oferecer produtos financeiros antes inacessíveis.

O executivo também destacou mudanças internas impulsionadas pela IA. Com os avanços dos modelos de linguagem aplicados à linguagem de programação Clojure, utilizada pela companhia, o Nubank mapeou e redesenhou aproximadamente 120 fluxos de trabalho para incorporar a tecnologia.

A empresa também reduziu de cerca de dez para cinco os níveis hierárquicos da organização. Ao mesmo tempo, Vélez ampliou de um para aproximadamente 20 o número de executivos que se reportam diretamente a ele. As equipes de recursos humanos desenvolveram ainda copilotos de IA para oferecer feedback contínuo a engenheiros, designers e gestores.

Expansão internacional e desafios nos Estados Unidos

A internacionalização permanece entre as ambições de longo prazo do Nubank. Além de consolidar sua presença na América Latina, a empresa iniciou sua entrada nos Estados Unidos e oferece uma conta vinculada a uma stablecoin em mais de 35 países, conforme relatado na entrevista.

A ambição de Vélez é levar o modelo de banco digital da companhia a mais de 100 países nos próximos anos. Nos Estados Unidos, entretanto, o desafio envolve construir reconhecimento de marca e conquistar a confiança dos consumidores em um mercado altamente competitivo.

O executivo estima que o setor global de serviços financeiros voltados ao consumidor movimente aproximadamente US$ 10 trilhões, dos quais quase 90% ainda estariam concentrados em instituições tradicionais, com operações apoiadas em estruturas físicas. Para o Nubank, esse cenário representa uma oportunidade de ampliar a participação de modelos digitais em diferentes mercados.

A expansão, porém, exige mais do que tecnologia. Vélez ressaltou que exigências regulatórias e o tempo necessário para obter licenças bancárias criam barreiras significativas à entrada de novos concorrentes. Na visão do executivo, essas restrições podem favorecer plataformas estabelecidas, como o Nubank, que já contam com escala, experiência operacional e estruturas regulatórias desenvolvidas.

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