A Motiva (MOTV3) projeta reduzir sua alavancagem para cerca de 3,0 vezes ao fim de 2026 e, com isso, abrir espaço para distribuição de dividendos com payout de até 50%, segundo relatório do banco Safra após reunião com a administração da companhia. O movimento está diretamente ligado à estratégia de venda da plataforma de aeroportos, cujos recursos devem ser majoritariamente destinados à redução da dívida da holding.
De acordo com o banco, a desalavancagem é o principal vetor de curto prazo para destravar valor. A expectativa é que, após as transações, a dívida líquida no nível da holding caia para aproximadamente R$ 2 bilhões, com cerca de 60% podendo ser amortizados antecipadamente. No longo prazo, a empresa busca atingir dívida líquida zero, embora reconheça que um patamar próximo de R$ 1,5 bilhão pode ser mais eficiente sob a ótica fiscal.
Risco sob controle
Apesar do cenário global mais incerto, com tensões geopolíticas pressionando os preços do petróleo e derivados, a avaliação do Safra é de que o impacto sobre a Motiva em 2026 tende a ser limitado. Isso porque cerca de 85% do capex do período já está contratado, reduzindo significativamente a exposição à volatilidade de insumos.
Estimativas da própria companhia indicam que uma alta de 10% no diesel teria impacto de apenas cerca de 1,5% sobre o capex total. Mesmo em um cenário adverso, com custos elevados por mais tempo, o efeito no fluxo de caixa livre para a firma (FCFF) seria limitado a aproximadamente 5%.
Além disso, fatores como o ano eleitoral e mecanismos regulatórios de reequilíbrio tendem a mitigar pressões adicionais, enquanto historicamente os preços do petróleo apresentam normalização em até 12 meses.
Disciplina em leilões
O Safra destaca ainda que a Motiva mantém uma postura conservadora em relação aos próximos leilões de infraestrutura. A companhia avalia que muitos ativos devem atrair forte concorrência, elevando o risco de disputas agressivas e comprimindo retornos.
Diante disso, a estratégia é focar em um número restrito de oportunidades com maior aderência ao portfólio atual e potencial de sinergias operacionais e financeiras. Nesse contexto, a rodovia Régis Bittencourt segue como o principal ativo em análise mais aprofundada.






