As ações da Suzano (SUZB3) acumulam queda superior a 20% desde o fim de fevereiro — desempenho significativamente pior do que o Ibovespa, que avança 3% no mesmo período, e também inferior aos pares locais, que recuam 10%, e internacionais, com baixa de 14%.
Para os analistas Rafael Barcellos e Renato Chanes, do Bradesco BBI, essa fraqueza tem explicação clara — e boa parte das preocupações já está refletida nos preços.
“Apesar dos desafios de curto prazo, avaliamos que a assimetria risco-retorno segue atrativa e parte relevante dessas preocupações já parece refletida nos múltiplos atuais, com a ação negociando a cerca de 5 vezes EV/Ebitda, bem abaixo de sua média histórica”, afirmam os analistas.
Três razões para a desvalorização
O BBI identifica três vetores principais por trás da queda.
O primeiro é a valorização do real, que pressiona diretamente os resultados de exportadores como a Suzano. O segundo são as crescentes preocupações com excesso estrutural de oferta no mercado global de celulose, especialmente diante da expansão da capacidade integrada na China e de novos projetos na América Latina previstos a partir de 2027.
O terceiro fator é a estratégia de alocação de capital.
“Investidores questionam a ausência de uma política formal de dividendos, execução limitada de recompras de ações e maior foco recente em aquisições, como Kimberly-Clark, Lenzing e Pine Bluff”, apontam Barcellos e Chanes.
Inflexão de caixa esperada em 2027
Entretanto, o horizonte muda a partir de 2027.
“Esperamos uma inflexão relevante no fluxo de caixa, sustentada por menores investimentos, normalização de desembolsos ligados à aquisição da Kimberly-Clark e avanço na desalavancagem”, projetam os analistas — com a relação dívida líquida sobre Ebitda podendo cair para abaixo de 2 vezes.
A geração de caixa, estimada em apenas 2% do valor de mercado em 2026, deve saltar para cerca de 23% em 2027 com a normalização das operações.
“Mesmo em cenários mais conservadores de preço da celulose e câmbio, a geração de caixa permanece robusta”, reforçam Barcellos e Chanes — mantendo recomendação de outperform (compra) para SUZB3 com preço-alvo de R$ 73 para o fim de 2026.






