A MBRF (MBRF3) oficializou a formação da joint venture Sadia Halal Holding Company em parceria com a HPDC, subsidiária do Fundo de Investimento Público do Reino da Arábia Saudita. O acordo, avaliado em US$ 2,07 bilhões, confere à MBRF uma participação de 90% na nova entidade, enquanto a HPDC ficará com os 10% restantes. A avaliação é do banco Safra, em relatório assinado pelos analistas Ricardo Boiati, Rafael Une e Thiago Marmo.
A nova holding consolida as operações de produção no Oriente Médio — incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait e Omã — além das exportações diretas do Brasil para a região MENA, excluindo os ativos na Turquia.
“O acordo confirma um marco importante nessa aliança em um mercado-chave, com uma base de consumidores de mais de 350 milhões de pessoas em 14 países”, destacam Boiati, Une e Marmo.
Os termos financeiros preveem um aporte inicial da HPDC de US$ 24,3 milhões — equivalente a SAR 91,4 milhões — no fechamento do acordo, com compromisso de uma transação primária complementar de US$ 73,1 milhões até 31 de dezembro de 2026.
A estrutura da joint venture é sustentada por um contrato de fornecimento renovável de 10 anos a partir das plantas brasileiras da BRF, com preços estabelecidos em bases de mercado e sujeitos a regras de preços de transferência.
“A venture é apoiada por um contrato de fornecimento de 10 anos a partir das plantas brasileiras da BRF, com precificação estabelecida em bases de mercado”, explicam os analistas.
IPO
Outro ponto de destaque é o licenciamento da marca Sadia para uso pela joint venture, reforçando o posicionamento da empresa no segmento halal. Além disso, a MBRF anunciou o início imediato dos preparativos para o IPO da Sadia Halal na bolsa de valores de Riad.
Embora a companhia não tenha divulgado uma data-alvo, o Safra estima que a oferta ocorra em 2027.
“Esperamos que o IPO ocorra em 2027”, projetam Boiati, Une e Marmo.
Apesar de classificar a notícia como já esperada pelo mercado — e, portanto, neutra para as ações no curto prazo —, o Safra ressalta o valor estratégico do movimento. O banco mantém recomendação de Outperform para os papéis da MBRF3.






