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IRB acende sinal de alerta após balanço de fevereiro

IRB acende sinal de alerta após balanço de fevereiro

Prêmios emitidos cresceram 115% na comparação anual em fevereiro, com expansão tanto no Brasil, de 140%, quanto no exterior, de 56%, mas o avanço não foi suficiente para compensar a deterioração das margens de subscrição

O IRB Brasil (IRBR3) registrou lucro líquido de R$ 11 milhões em fevereiro de 2026 — queda de 62% na comparação anual —, em resultado considerado decepcionante pelo banco Safra. A avaliação do analista Daniel Vaz é negativa, e os números acumulados do trimestre reforçam a preocupação com a trajetória da resseguradora.

Os prêmios emitidos cresceram 115% na comparação anual, sustentados por um melhor ritmo tanto nos segmentos doméstico quanto internacional, provavelmente refletindo um efeito defasado da janela de renovação dos contratos”, reconhece Vaz. Contudo, o avanço expressivo na captação não se traduziu em resultado positivo.

Retrocessão e sinistros corroem subscrição

O principal vilão do resultado foi a combinação entre taxa de retrocessão elevada e sinistralidade pressionada. O índice de retrocessão ficou em 48,5% — alta de um ponto percentual na comparação anual —, o que limitou os prêmios retidos pelo IRB. Ao mesmo tempo, os sinistros retidos cresceram 35% na comparação anual, impulsionados por um OCR mais elevado.

O efeito direto foi a deterioração do índice de sinistralidade, que avançou para 74% — alta de dez pontos percentuais na comparação anual.

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“Uma taxa de retrocessão mais elevada, combinada a um nível alto de sinistros retidos, pressionou o desempenho de subscrição do IRB, que recuou 15% na comparação anual em fevereiro e 19% no acumulado do trimestre”, destaca o analista.

O índice combinado chegou a 111%, alta de seis pontos percentuais na comparação anual e de dois pontos na mensal — patamar que indica operação no prejuízo técnico. Os custos de aquisição recuaram 23% na comparação mensal, mas despesas administrativas e tributárias subiram, anulando parte do alívio.

Meta de 2026 em dúvida

O quadro acumulado é igualmente preocupante. O lucro líquido dos últimos doze meses vem recuando desde dezembro de 2025 e agora se situa em R$ 460 milhões.

Isso torna as projeções de consenso para 2026, atualmente em torno de R$ 600 milhões, uma meta difícil de ser alcançada“, avalia Vaz.

O analista reconhece, entretanto, que os números mensais apresentam volatilidade relevante e que o desempenho de prêmios emitidos no início do ano é positivo. No acumulado do trimestre, os prêmios avançam 22% na comparação anual — sinal de que a base de captação segue em expansão, embora ainda insuficiente para reverter a pressão nas margens de subscrição.