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Ibovespa: gestores derrubam projeção para 2026

Ibovespa: gestores derrubam projeção para 2026

Níveis elevados de caixa e redução de risco indicam postura mais defensiva na alocação para América Latina e Brasil

A pesquisa de gestores do Bank of America referente a junho apontou uma deterioração relevante nas expectativas para o mercado brasileiro, com destaque para o Ibovespa.

O levantamento, realizado com 31 participantes que somam cerca de US$ 115 bilhões sob administração, mostra que apenas 31% dos entrevistados esperam o índice acima de 190 mil pontos ao fim de 2026, queda acentuada frente aos 66% registrados em maio.

O movimento reflete uma mudança clara de humor dos investidores, que passaram a adotar uma postura mais cautelosa em relação ao Brasil.

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As expectativas para o Ibovespa e para os lucros corporativos recuaram de forma relevante na margem”, indica o relatório.

Fonte: Bank of America

Além disso, cerca de 40% dos gestores agora esperam revisões negativas nos lucros das empresas brasileiras ao longo de 2026, ante 29% na pesquisa anterior, reforçando a percepção de um ambiente mais desafiador para o mercado acionário local.

Posicionamento mais defensivo

A mudança de expectativa veio acompanhada de um posicionamento mais conservador. Os níveis de caixa dos fundos permanecem elevados, atingindo 6,4% em junho, acima da média histórica de 5,5%, enquanto 58% dos gestores afirmam estar assumindo menos risco do que o normal — o maior nível desde abril de 2025.

Fonte: Bank of America

Esse movimento também se reflete na preferência por estratégias mais defensivas. A busca por empresas de alta qualidade e pagadoras de dividendos ganhou espaço, substituindo o foco anterior em crescimento. O setor de utilidades públicas aparece como o mais sobreponderado, enquanto o consumo discricionário é o menos favorecido.

No caso específico do Brasil, o cenário eleitoral volta ao centro das atenções, sendo visto como o principal fator de influência sobre os ativos nos próximos seis meses. No ambiente externo, juros mais altos nos Estados Unidos e um dólar mais forte continuam sendo citados como os principais riscos para a região.

Fonte: Bank of America

Juros, câmbio e cenário regional

As expectativas macroeconômicas para o Brasil também se tornaram mais conservadoras. Nenhum dos participantes projeta o real abaixo de R$4,80 por dólar até o fim de 2026, contraste com os 31% que tinham essa visão no levantamento anterior.

Na política monetária, a percepção predominante é de juros elevados por mais tempo. Cerca de 68% dos gestores não esperam a Selic abaixo de 14% ao fim do período, indicando dúvidas sobre a intensidade do ciclo de afrouxamento. O relatório também aponta que fatores geopolíticos podem limitar cortes mais agressivos.

Fora do Brasil, o tom é mais construtivo. A Argentina aparece como o mercado com maior potencial de valorização de ativos na região nos próximos seis meses. Entre os países andinos, a Colômbia passou a liderar as preferências, superando o Chile.

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