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Fim da taxa das blusinhas: o impacto na Renner, C&A e Riachuelo

Fim da taxa das blusinhas: o impacto na Renner, C&A e Riachuelo

BTG estima que os players locais estejam agora melhor preparados para enfrentar uma competição mais acirrada em um cenário pessimista

A discussão sobre a tributação de compras internacionais de até US$ 50, conhecida como taxa das blusinhas, voltou ao centro do debate político e econômico. Membros da coalizão do governo começaram a medir o apoio político para revogar ou revisar o imposto de importação, em meio a preocupações com a percepção de renda da população.

Para os analistas do BTG Pactual Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, o movimento é visto com cautela, pois “qualquer revisão nos impostos de importação deve ser negativa para os varejistas locais, trazendo pressão sobre os preços”.

O setor de vestuário no Brasil vive uma fase decisiva de competição com plataformas estrangeiras, especialmente a Shein.

O banco observa que, embora a introdução da taxa de 20% em 2024 tenha causado uma queda inicial nas encomendas, o apetite do consumidor retomou rapidamente.

O relatório aponta que os “volumes de importação já estavam próximos dos níveis pré-imposto (15-17 milhões de pacotes/mês)“.

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Varejo
(Imagem: Unsplash)

Varejistas nacionais

A disparidade de preços continua sendo o principal obstáculo para as varejistas listadas na B3. De acordo com uma pesquisa proprietária citada no documento, a “plataforma chinesa é 6% mais barata que a Riachuelo (RIIA3), 10% mais barata que a Renner (LREN3) e 13% mais barata que a C&A (CEAB3)”.

No entanto, Guanais, Cesquim e Cendon ponderam que as “varejistas locais de vestuário continuam a ganhar participação de mercado, apoiadas por uma melhor execução e investimentos” em novos sortimentos.

Novo momento

Apesar da ameaça competitiva, o BTG acredita que o mercado nacional amadureceu. A percepção é que as empresas brasileiras não estão mais tão vulneráveis quanto em 2023.

Na visão dos analistas, “estimamos que os players locais estejam agora melhor preparados para enfrentar uma competição mais acirrada em um cenário pessimista“.

Atualmente, o setor de moda negocia a cerca de 8 vezes o lucro projetado para 2026, patamar considerado baixo.

Embora os juros altos e o endividamento das famílias continuem a limitar o poder de compra, o banco avalia que o sell-off recente nas ações deixou os valuations atrativos, uma vez que o mercado já parece ter incorporado as incertezas de curto prazo no preço dos ativos.