A Embraer (EMBJ3) começou 2026 com um ritmo mais forte de entregas de aeronaves comerciais, mas enfrenta um cenário externo mais desafiador diante dos sinais de enfraquecimento da demanda global por transporte aéreo. A avaliação é do banco Safra, que classificou os dados recentes da companhia como mistos, combinando avanços operacionais com um ambiente menos favorável para o setor.
Segundo dados preliminares da plataforma Planespotters citados pelo banco, a fabricante brasileira entregou cinco jatos comerciais em maio, resultado superior às duas aeronaves registradas no mesmo mês do ano passado e alinhado à média histórica para o período. Com isso, a Embraer acumula 17 aeronaves entregues em 2026, crescimento de 21% na comparação anual.
O desempenho reforça a expectativa de continuidade da recuperação operacional da companhia, especialmente após os desafios enfrentados pela indústria aeroespacial nos últimos anos em meio a gargalos na cadeia de suprimentos e restrições de produção.
Apesar da melhora no volume, o Safra destaca que a composição das entregas foi menos favorável do que a observada em maio de 2025. Os jatos da família E1 representaram 40% das entregas do mês, abaixo dos 50% registrados um ano antes. Além disso, 60% das aeronaves foram destinadas a clientes considerados de menor margem, como American Airlines e Porter Airlines, percentual acima dos 50% observados no mesmo período do ano anterior.
Dados preliminares do 2ºTRI
Nos dois primeiros meses do segundo trimestre, a Embraer entregou sete aeronaves, repetindo o volume registrado no mesmo intervalo de 2025. Ainda assim, o número permanece abaixo do total de 19 unidades entregues ao longo de todo o segundo trimestre do ano passado, o que mantém a atenção do mercado voltada para o desempenho da companhia nas próximas semanas.
Enquanto os indicadores operacionais mostraram evolução, os dados de demanda do setor aéreo trouxeram um sinal de alerta. Informações da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), também analisadas pelo Safra, revelaram que o tráfego global de passageiros medido em passageiros-quilômetro transportados (RPK) caiu 3,4% em abril na comparação com o mesmo mês de 2025.
Trata-se da primeira contração anual registrada desde a recuperação do setor após a pandemia de covid-19.
Segundo o banco, a desaceleração ocorreu em meio aos impactos provocados pelo conflito envolvendo o Irã, que continuou afetando operações e rotas de diversas companhias aéreas ao redor do mundo. O Oriente Médio foi a região mais atingida, com queda de 47% no tráfego de passageiros na comparação anual.
Nos Estados Unidos, mercado considerado estratégico para os jatos E1 da Embraer, o tráfego doméstico apresentou leve retração de 0,6%. Já o mercado brasileiro mostrou maior resiliência, com expansão de 2,6% no período.
Na visão do Safra, os números reforçam um cenário de contrastes para a fabricante brasileira. De um lado, a companhia mantém uma trajetória positiva de entregas e expansão operacional. De outro, a desaceleração da atividade aérea global pode influenciar o ritmo de crescimento das companhias aéreas e, consequentemente, suas decisões de investimento em novas aeronaves.
Por enquanto, o banco vê os dados como um balanço entre fatores positivos e negativos, sem alterar a percepção sobre a companhia, mas indicando que a evolução da demanda global por voos deverá permanecer entre os principais pontos de atenção para os investidores ao longo dos próximos meses.
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