Home
Notícias
Ações
Copel tem resultado “saudável” e ação “premium”

Copel tem resultado “saudável” e ação “premium”

Resultado veio em linha com as estimativas, com destaque para volumes resilientes na distribuição e curtailment pressionando custos na geração, sem alterar a visão positiva dos analistas sobre o papel

A Copel (CPLE6) reportou resultados operacionais saudáveis no primeiro trimestre de 2026, com Ebitda ajustado de R$ 1,755 bilhão, ficando 1% abaixo das estimativas da XP Investimentos e 1% acima do consenso de mercado.

A avaliação é dos analistas Raul Cavendish e Bruno Vidal, que mantêm recomendação de compra para o papel com preço-alvo de R$ 19,90 por ação.

Distribuição cresce com atividade aquecida

O segmento de distribuição foi o destaque positivo do trimestre.

“No segmento de distribuição, observamos volumes saudáveis, refletindo maior atividade econômica na área de concessão, enquanto a margem bruta ficou amplamente em linha com nossas projeções”, apontam os analistas.

Além dos volumes resilientes, as despesas operacionais (PMSO) vieram 5% abaixo das estimativas da XP, levando o Ebitda da divisão a superar as projeções em 1%. A combinação de demanda firme e controle de custos reforça a percepção de que a distribuição segue como um dos pilares mais previsíveis e rentáveis do portfólio da companhia.

Publicidade
Publicidade

Curtailment pesa na geração e transmissão

No segmento de Geração e Transmissão (GeT), o desempenho foi levemente pressionado.

“A margem bruta de energia por MWh ficou 1% abaixo do nosso número, refletindo efeitos de modulação favoráveis, como já antecipado, principalmente em hídrica, e parcialmente afetada por maiores custos de compra de energia ligados ao curtailment”, explicam Cavendish e Vidal.

O fenômeno do curtailment — corte compulsório de geração renovável por excesso de oferta no sistema — seguiu como uma variável de pressão sobre os resultados da divisão, levando o Ebitda do segmento a ficar 1% abaixo das estimativas.

Overhead da holding dilui desempenho

Em nível consolidado, os analistas destacam que custos mais pesados na holding acabaram neutralizando parte do bom desempenho operacional das subsidiárias.

“Em base consolidada, destacamos um overhead mais pesado na holding, que acabou puxando o Ebitda consolidado para próximo do nosso número”, observam os analistas.

O resultado final, portanto, veio em linha com as projeções, sem elementos que alterem estruturalmente a tese de investimento. “Esperamos uma reação neutra do mercado, já que o trimestre não deve alterar de forma relevante nossa visão atual sobre o papel”, concluem Cavendish e Vidal.

Gestão de qualidade e valuation atrativo

Apesar do resultado sem surpresas, a XP reforça o otimismo com a Copel no médio e longo prazo.

“Aos preços atuais, vemos a CPLE negociando a uma atrativa TIR real de 11,5%, oferecendo uma combinação muito bem equilibrada entre yield e crescimento”, destacam os analistas.

A companhia é descrita como um nome “premium” dentro do setor elétrico, fruto de uma série de movimentos estratégicos bem-sucedidos nos últimos anos, incluindo venda de ativos, aquisições e o desempenho do LRCap.

“A atual gestão está entre as melhores do nosso universo de cobertura, e qualquer novo anúncio deve seguir consolidando essa percepção”, concluem Cavendish e Vidal, que também veem a Copel como concorrente relevante em eventuais processos de privatização de distribuidoras no país.