A Cogna (COGN3) divulgou resultados mistos relativos ao primeiro trimestre de 2026, na leitura do Bradesco BBI.
O Ebitda ajustado veio 3% acima das estimativas do banco, contudo o lucro líquido ficou 18% abaixo das projeções, pressionado por maior carga tributária associada ao forte desempenho do segmento de Educação Básica, formado pelas marcas Vasta e Saber.
A receita líquida consolidada avançou 32% na comparação anual, impulsionada pelo reconhecimento de R$ 308 milhões em receitas do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), em movimento de catch-up frente ao quarto trimestre de 2025.
Excluindo o impacto pontual do PNLD, o crescimento da receita foi de 13% em base anual, ritmo que o BBI considera consistente com a trajetória recente da companhia.
A divisão Kroton, que concentra o ensino superior, avançou 11% no comparativo anual, com ticket médio agregado em alta de 19% e crescimento de 4% nas receitas do ciclo de captação, métrica acompanhada como termômetro da demanda no segmento.
Kroton no centro da pressão de margem
O lado operacional trouxe sinal de alerta. A margem Ebitda consolidada recuou 2,5 pontos percentuais frente ao primeiro trimestre de 2025, para próximo de 32%, com a maior parte da pressão concentrada em Kroton. Maiores despesas com marketing e vendas, gastos corporativos e provisões responderam pelo aperto de rentabilidade no segmento, segundo os analistas Márcio Osako e Henrique Colla, do BBI.
Dentro do mix de Kroton, a base de alunos de graduação recuou 5% em base anual, com o ensino a distância (EAD) puxando o resultado para baixo. O movimento foi parcialmente compensado pelo presencial e pelo semipresencial, modalidades que seguem ganhando espaço dentro da estratégia da companhia para o ensino superior.
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Caixa cresce e valuation sustenta a tese
A geração de caixa livre para o acionista (FCFE) somou R$ 171 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 36% em base anual, embora 13% abaixo da projeção do BBI. O número veio acompanhado de melhora no prazo de recebimento da Kroton, que encurtou seis dias na comparação anual. Os recebíveis de financiamento estudantil (PMT) ligados ao ciclo de captação cresceram 30%, movimento que reflete o avanço dos parcelamentos próprios da companhia para alunos.
“Reconhecemos o forte crescimento de receita, favorecido pelo PNLD e pela evolução de Kroton, mas ponderamos a compressão de margens, especialmente em Kroton, que exige maior disciplina de custos para sustentar a rentabilidade”, escreveram Osako e Colla em relatório distribuído a clientes.
O contraponto, segundo o BBI, está no múltiplo. A ação da Cogna negocia a 6,3 vezes o lucro projetado para 2026 e 5,4 vezes o estimado para 2027, com FCFE yield de 14% e 18%, respectivamente. Os números, na avaliação do banco, conferem viés positivo ao caso de investimento, ainda que a execução nas margens permaneça como o principal ponto de atenção para os próximos trimestres.
A combinação de receita resiliente, geração de caixa em recuperação e múltiplo descontado sustenta a recomendação Neutra para COGN3 mantida pelo BBI.
Para uma virada da casa em direção a uma visão mais positiva, o caminho passa pela retomada da disciplina de custos em Kroton e pela acomodação das despesas de marketing e provisões que pesaram sobre o trimestre.






