O crescimento do mercado de seguros habitacionais, impulsionado pela expansão do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), reforça a perspectiva positiva para a Caixa Seguridade (CXSE3), segundo análise do BTG Pactual (BPAC11). A recomendação é de compra, com preço-alvo em R$ 25.
Em relatório, o banco destaca a resiliência do negócio da companhia, sustentada pela demanda recorrente por seguros vinculados ao crédito imobiliário e pela capacidade de manter resultados mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador.
De acordo com dados destacados pelo BTG a partir de reportagem do Valor Econômico, os prêmios anuais de seguros habitacionais no Brasil saltaram de R$ 4,5 bilhões em 2020 para R$ 8 bilhões em 2025. No mesmo período, o número de financiamentos imobiliários contratados pelo Minha Casa, Minha Vida passou de 365 mil para 663 mil operações.
A relação entre os dois mercados é direta: o seguro habitacional é obrigatório nos financiamentos imobiliários e oferece cobertura para morte ou invalidez permanente do mutuário, além de determinados danos ao imóvel. Como os contratos podem durar até 35 anos, a modalidade proporciona receitas recorrentes às seguradoras ao longo do tempo.
Minha Casa, Minha Vida sustenta expansão dos seguros
O ritmo de crescimento continuou em 2026. No primeiro semestre, o Minha Casa, Minha Vida registrou 473 mil operações de financiamento, enquanto os prêmios de seguros habitacionais do setor alcançaram R$ 4,3 bilhões. Segundo projeções da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o segmento deve crescer 11,6% em 2026 e aproximadamente 11% em 2027.
A expectativa é sustentada pela continuidade da concessão de crédito imobiliário, financiado principalmente por recursos do FGTS e depósitos de poupança. O aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos também tem ampliado a atenção dos consumidores para a proteção de imóveis.
Nesse cenário, a Caixa Seguridade apresenta desempenho superior ao crescimento projetado para o mercado. Os prêmios de seguros habitacionais da companhia avançaram 13,5% na comparação anual do primeiro semestre de 2026, atingindo R$ 2,21 bilhões.
Seguros residenciais ampliam oportunidades de crescimento
Além dos seguros obrigatórios vinculados aos financiamentos, a Caixa Seguridade também busca ampliar sua presença no segmento de seguros residenciais. No primeiro semestre, os prêmios dessa modalidade somaram R$ 561,7 milhões, alta de 2,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Uma das estratégias da companhia é oferecer seguros residenciais aos clientes após a quitação do financiamento imobiliário. A iniciativa permite prolongar o relacionamento comercial mesmo depois do encerramento do contrato de crédito.
Diferentemente do seguro habitacional obrigatório, o seguro residencial voluntário pode incluir a proteção de bens dentro do imóvel, como móveis e eletrodomésticos. O potencial de expansão é significativo: segundo a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), apenas 17% das residências brasileiras contam atualmente com esse tipo de cobertura.
Juros elevados favorecem previsibilidade dos resultados
O BTG também destaca que a estrutura do negócio da Caixa Seguridade contribui para a previsibilidade dos resultados. Em reunião recente com o diretor financeiro, Edgar Soares, e a equipe de relações com investidores, a instituição financeira identificou uma mensagem de continuidade na estratégia da companhia.
Apesar de um impacto temporário e moderado da greve da Caixa em setembro, a carteira existente e os pagamentos mensais recorrentes seguem sustentando a visibilidade dos resultados. O segmento de previdência também vem ganhando participação de mercado e contribuindo para o aumento das receitas com taxas de administração.
Outro fator considerado favorável pelo banco é a perspectiva de juros elevados por mais tempo. Nesse ambiente, os incentivos à antecipação de pagamentos de financiamentos imobiliários diminuem, prolongando a duração da carteira de crédito e, consequentemente, o fluxo de receitas associado aos seguros habitacionais.
Para o BTG, essa característica ajuda a sustentar a geração de resultados da Caixa Seguridade mesmo diante de um ambiente macroeconômico mais incerto.
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