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Biocor entra na Atlântica D’Or e acirra disputa com Mater Dei

Biocor entra na Atlântica D’Or e acirra disputa com Mater Dei

Rede D’Or e Bradsaúde acertaram a entrada do Hospital Biocor, em Nova Lima, na parceria Atlântica D’Or, numa operação de R$ 130 milhões

A Rede D’Or (RDOR3) e a Bradsaúde (SAUD3) anunciaram a incorporação do Hospital Biocor, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, à parceria Atlântica D’Or. A Atlântica Hospitais compra 49,99% do ativo por cerca de R$ 130 milhões, corrigidos pelo CDI até o fechamento, e a Rede D’Or mantém 50,01% e a gestão médica. A conclusão depende de condições precedentes, incluindo aprovações regulatórias.

As ações da Rede D’Or terminaram a sessão desta quarta-feira (2) em alta de 4% e as da Bradsaúde com valorização de 4,5%.

O hospital tem 310 leitos e integra o portfólio da Rede D’Or desde 2021, quando a companhia comprou 51% por R$ 383 milhões. O ativo é conhecido pela forte exposição à Unimed BH, principal operadora da região, que historicamente respondeu por parcela relevante do fluxo de pacientes.

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“A parceria pode melhorar a rentabilidade do Biocor, que tem margem Ebitda de cerca de 15%, contra 24% da Rede D’Or. Uma migração gradual dos volumes da Unimed para SulAmérica e Bradesco Saúde tende a aprimorar o mix de casos, elevar o tíquete médio e expandir as margens”, aponta Gustavo Tiseo, analista da XP Investimentos.

O que muda para cada lado

Para a Bradsaúde, o negócio significa entrar num ativo hospitalar por um múltiplo que a XP calcula em torno de 5 vezes o valor da firma sobre o Ebitda, além de reforçar a exposição a resultados hospitalares e ampliar a presença no segmento de prestadores de serviço.

“Do lado da Rede D’Or, vemos a transação como funding: os R$ 130 milhões entram pelo mesmo preço de referência pago dez semanas antes e equivalem a 15% do capex do segundo trimestre. Não mudamos estimativas e mantemos a recomendação de compra para as duas ações”, dizem Thiago Marmo e Ricardo Boiati, analistas do Safra.

O Biocor é o quarto hospital da Rede D’Or a entrar na parceria, depois de Campinas, no primeiro trimestre de 2025, e de Glória D’Or e Maternidade São Luiz Star, no primeiro trimestre de 2026. A diferença é que este já opera e passa a contribuir a partir do fechamento.

A Atlântica encerrou o trimestre com 21 hospitais e 4.101 leitos contratados, dos quais 2.199 em operação, e respondia por 6% do lucro consolidado, ante 2% um ano antes.

Mater Dei perde a parceira mais provável

O efeito colateral recai sobre a concorrente mineira. A Mater Dei (MATD3) abriu uma unidade de 117 leitos em Nova Lima no segundo semestre de 2024, a cerca de 180 metros do Biocor, e a descreve como a de maior tíquete da rede. A SulAmérica não é credenciada lá.

“Antes do anúncio, víamos a Mater Dei como a parceira hospitalar mais natural para a Bradsaúde na região. O acordo reduz materialmente a probabilidade de uma parceria dessa natureza e fortalece a concorrência num mercado importante onde a companhia historicamente ocupou posição de liderança”, observa Tiseo.

Em relatório do dia 31 de agosto, o Safra havia retomado a cobertura da Bradsaúde com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19 ante R$ 13,50 antes, o que implica potencial de valorização de 37%.

A ação negocia a 8,2 vezes o lucro projetado para 2027, desconto de cerca de 40% frente à Rede D’Or, com retorno sobre patrimônio de 25,8% nos últimos 12 meses e dividend yield médio estimado em 9,7% entre 2026 e 2030.

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