A XP Investimentos cortou o preço-alvo do Banco do Brasil (BBAS3) de R$ 25 para R$ 21 por ação e manteve recomendação neutra, mostra um relatório enviado a clientes nesta sexta-feira (3). Com upside de apenas 5% até o novo alvo e um ciclo de crédito que segue se deteriorando, a casa enxerga assimetria negativa de riscos predominando a tese.
O papel negocia a 6,3 vezes o lucro estimado para 2026, acima da média histórica de 4,5 vezes. Esse múltiplo elevado, segundo a XP, não reflete melhora de fundamentos.
“O Banco do Brasil negocia acima de sua média histórica, refletindo principalmente a deterioração dos lucros, e não uma melhora dos fundamentos”, disseram os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti.
Agro: o ciclo ruim dura mais do que o esperado
A carteira de agronegócio é o principal vetor de pressão. Preços de commodities deprimidos, real mais forte e despesas financeiras elevadas mantêm as margens dos produtores comprimidas. Os dados de recuperações judiciais de abril mostram que o estresse financeiro no setor ainda é relevante.
“A carteira legado continuará absorvendo os efeitos defasados da deterioração do ciclo, mantendo a qualidade dos ativos sob pressão”, projetaram Guttmann, Guimarães e Meneghetti.
As safras mais recentes se beneficiam de critérios mais rígidos e garantias mais robustas, mas isso não resolve o problema do estoque antigo, que ainda vai digerir o ciclo ruim por mais tempo.
Pessoas físicas pressionam, tesouraria compensa
Além do agro, a XP observa pressão crescente entre clientes de pessoas físicas ligados à atividade rural e em produtos sem garantia de maior rendimento.
“Isso pode exigir provisões adicionais caso as tendências de crédito não melhorem”, alertaram os analistas.
Do lado positivo, receitas mais fortes da tesouraria num ambiente de juros elevados e controle disciplinado de custos ajudam a compensar parte da pressão.
O equilíbrio entre esses vetores é o que mantém o banco dentro das metas, mas sem espaço para surpresas.
“Esperamos que os resultados permaneçam mais próximos da faixa inferior do guidance”, estimaram Guttmann, Guimarães e Meneghetti.
A combinação de pressão no crédito com tesouraria favorável deve ser a marca dos próximos trimestres.
Sem gatilho para mover o papel no curto prazo
Custo de crédito elevado, flexibilidade de capital restrita e ciclo do agronegócio ainda desfavorável deixam o banco sem catalisadores visíveis de reprecificação.
“Embora a ação não apresente uma assimetria suficientemente negativa para justificar uma recomendação de venda, a combinação de riscos de execução persistentes e um ambiente de crédito ainda desafiador nos mantém cautelosos“, concluíram os analistas da XP.
Os três riscos monitorados são deterioração adicional do agronegócio, piora das condições macroeconômicas e restrições de capital. Com apenas 5% de upside até o preço-alvo e esses vetores negativos no horizonte, a XP prefere manter cautela até que surjam sinais mais claros de virada no ciclo de crédito.






