A Automob (AMOB3) pretende atingir, no médio prazo, o patamar de um carro usado vendido para cada veículo novo comercializado, como parte da estratégia para aumentar a rentabilidade e melhorar a produtividade das lojas, segundo reunião com analistas do banco Safra.
O objetivo representa uma evolução relevante em relação ao nível atual, de cerca de 0,6 a 0,7 veículo usado por carro novo, já acima da média de mercado. A mudança envolve reconfiguração de lojas e foco maior em segmentos com maior margem.
A avaliação do Safra ocorre após encontro com a diretoria da companhia, que destacou a resiliência do segmento de veículos leves e apresentou iniciativas para destravar valor, especialmente por meio de serviços e produtos de maior margem.
Veículos leves seguem resilientes
O segmento de veículos leves continua sendo o principal motor de resultados da companhia, com lucro recorrente em torno de R$ 35 milhões por trimestre.
“O negócio de veículos leves permanece estruturalmente lucrativo e resiliente, apoiado por portfólio diversificado e exposição a diferentes faixas de preço”, afirmam os analistas Luiz Peçanha e Arthur Godoy.
PublicidadePublicidade
De acordo com o Safra, o desempenho tem sido sustentado por maior sensibilidade do consumidor a preços, incentivos tributários e avanço de montadoras chinesas, fatores que têm favorecido volumes sem comprometer margens de forma relevante.
Agronegócio ainda pressiona resultados
Por outro lado, o segmento de agronegócio segue como principal ponto de atenção, devido ao estoque legado ainda elevado. A empresa estima cerca de R$ 180 milhões em inventário antigo, com parte relevante pressionando margens.
“Ainda há impacto de estoques antigos com margens mais fracas, mas já vemos melhora gradual à medida que novos equipamentos são comercializados com condições mais saudáveis”, dizem Peçanha e Godoy.
Apesar disso, a expectativa é de normalização progressiva, com melhora no mix de vendas e recuperação de rentabilidade ao longo dos próximos trimestres.
Alavancas de valor e geração de caixa
A estratégia da companhia está centrada no crescimento de veículos usados, além da expansão das receitas de financiamento, seguros e pós-venda. “O avanço em usados, F&I e serviços deve aumentar a produtividade das lojas e diluir custos fixos”, afirmam os analistas.
A companhia também vem promovendo mudanças operacionais, como a redução de áreas destinadas a oficinas e realocação de espaço para vendas de usados, além da integração de sistemas para melhorar eficiência e relacionamento com clientes.
Outro ponto destacado foi a perspectiva de melhora na geração de caixa, com redução de investimentos e monetização de ativos. A administração reiterou a meta de alcançar margem EBITDA próxima de 6% até 2027, enquanto a alavancagem tende a recuar com crescimento de resultados e menor intensidade de capital.






