Café
Home
Notícias
Ações
Após queda de 18%, Nubank volta a despertar interesse dos investidores

Após queda de 18%, Nubank volta a despertar interesse dos investidores

Nu caiu 14% no ano enquanto o Ibovespa avançou 13%, e valuação mais comprimida começa a despertar interesse renovado nos investidores

Após o forte rali do Ibovespa em 2026 e a entrada expressiva de capital estrangeiro na Bolsa brasileira, os investidores estão se tornando mais seletivos no setor financeiro, incluindo o Nubank (ROXO34). A conclusão é do banco Safra, que passou a última semana reunindo clientes no Rio de Janeiro para discutir o setor.

“O Nubank, cuja avaliação mais comprimida começou a atrair um interesse renovado, ainda está sob a percepção de estar ‘no fogo cruzado’ da desvalorização das ações de tecnologia globais e dos temores relacionados à IA”, afirmam os analistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre.

A percepção geral, contudo, é de cautela crescente, impulsionada pelos conflitos globais, pela volatilidade do petróleo e pela alta das taxas de juros internacionais.

“Com as valuações mais ricas após o rali recente e o ambiente global mais turbulento, os investidores estão migrando para nomes menos expostos ao ciclo de crédito, como empresas de mercado de capitais”, ressaltam os analistas.

B3
(Imagem: B3/ Divulgação)

XP e B3 lideram as preferências

Nesse contexto, XP Inc. (XPBR31) e B3 ($B3SA3) emergiram como os nomes mais bem vistos entre os investidores. A XP foi apontada como a maior assimetria de valuation do setor, posicionada para se beneficiar de um ambiente de mercado mais favorável. A B3 segue lógica semelhante, apesar de crescerem os debates sobre quanto upside ainda resta após o rali recente.

Publicidade
Publicidade

Contudo, o BTG Pactual (BPAC11), apesar de bem-posicionado em meio à volatilidade, foi visto como mais caro.

“Os investidores mantêm confiança na capacidade da gestão de continuar entregando surpresas positivas, no entanto os níveis atuais de valuação foram considerados menos confortáveis para aumentos marginais de posição”, destacam os analistas do Safra.

Nubank desperta interesse

Entre os grandes bancos, a preferência recuou. Dados recentes do Banco Central apontam deterioração no crédito ao consumidor – especialmente em cartões e empréstimos pessoais —, elevando preocupações com inadimplência e provisionamento. O crescimento das recuperações judiciais também pesa sobre a qualidade dos ativos no crédito corporativo.

Apesar do valuation elevado, o Itaú Unibanco (ITUB4) segue sendo visto como franquia de alta qualidade, embora com upside limitado. A Itaúsa (ITSA4) foi citada como alternativa mais barata para quem busca exposição ao banco.

Já o Bradesco (BBDC4) foi mencionado como opção razoável no setor, com melhor momentum e valuação mais acessível. O Banco do Brasil (BBAS3), no entanto, enfrenta baixa visibilidade sobre a magnitude da inadimplência esperada no portfólio rural em abril e maio.

O Nu (ROXO34) chamou atenção apesar da queda recente.

“Após a performance negativa de 14% no ano, enquanto o Ibovespa avançou 13%, o valuation chegou a um nível de 13 vezes o preço sobre o lucro estimado para 2027, o que começa a atrair interesse renovado“, apontam os analistas.

No entanto, o papel ainda carece de um catalisador claro de rerating no curto prazo, com investidores aguardando novos indicadores operacionais do negócio nos Estados Unidos.

“Ainda assim, em comparação com outras empresas do setor de tecnologia, como a Nvidia ou mesmo o índice composto NASDAQ, a avaliação relativa não é tão baixa, e o desempenho das ações nesses grupos é muito alto, o que implica que uma reavaliação isolada ainda está distante”, apontam os analistas.

Stone
(Imagem: Divulgação/ Stone)

Pagamentos perdem brilho

No setor de pagamentos, o sentimento piorou. Os investidores concordam que as tendências de volume total de pagamentos (TPV) seguem abaixo do ideal, e o apetite pelo setor arrefeceu de forma generalizada.

A Stone (STOC31) continua sendo vista como barata, dado seu forte carrego e múltiplos comprimidos. No entanto, após a performance recente das ações, os investidores questionam cada vez mais se as revisões de lucro para 2026 podem acabar sendo negativas.

“Quem é o comprador marginal? Você consegue enxergar um catalisador claro de rerating além do cenário macro?”, são as perguntas que dominam as conversas sobre o papel, segundo o Safra.

O PagBank (PGBR34), apesar disso, é percebido em momento relativamente melhor — com crescimento sequencial de volume e uma meta de longo prazo positiva para 2029. Contudo, esse horizonte ainda parece distante para a maioria dos investidores. O setor como um todo carrega maior incerteza em relação às margens, principalmente diante das implicações de um cenário de competição mais acirrada.

No segmento de seguros, o interesse foi limitado. As poucas discussões se concentraram na BB Seguridade (BBSE3), com debate sobre como o processo de renegociação contratual com o Banco do Brasil poderia ser impactado — positiva ou negativamente — pela atual posição de capital do banco.

A Caixa Seguridade (CXSE3) e outros nomes do setor geraram pouco ou nenhum interesse no roadshow de março, frequentemente citados como caros ou sem catalisadores relevantes, às vésperas de um ciclo de afrouxamento monetário previsto para 2026 e 2027.

Leia também: