A lista de credores da Americanas (AMER3) cresce e a varejista corre para manter as operações em dia, negociando, inclusive, com fornecedores do marketplace.
A rede está em recuperação judicial tanto no Brasil quanto nos EUA, tem mais de R$ 47 bilhões em dívidas e, recentemente, teve de pagar à vista os fabricantes de chocolate para, assim, assegurar que suas unidades tenham ovos de Páscoa à disposição dos clientes.
Vale lembrar, contudo, que ainda faltam dois meses para a referida data e a venda de ovos, barras e caixas de bombom representa 35% do faturamento da rede, segundo O Globo.
Já o Valor Econômico informa que os fundos geridos pela gestora Itaú Asset têm R$ 3,4 bilhões a receber da companhia.
Conforme o jornal, o montante aparece na nova versão da lista consolidada de credores, divulgada pela varejista na noite do dia 10.
O documento mostra que são cerca de 30 fundos diferentes, cada um com um CNPJ diferente, seguindo a legislação e a regulamentação dos fundos.
Também traz que os créditos estão precificados na carteira dos fundos a cerca de 10% a 15% do seu valor de face, já refletidos nas suas cotas, e já contemplando as prováveis perdas da ordem de 90% do valor.

Principais credores são bancos
Outro banco que busca ressarcimento junto à Americanas é o Santander (SANB11) que, na última semana, obteve na Justiça a abertura do sigilo de e-mails dos últimos dez anos de Beto Sicupira, um dos três acionistas de referência da varejista.
Além disso, os advogados do banco conseguiram também acesso aos e-mails de todos os diretores, conselheiros, membros do comitê fiscal e de funcionários das áreas de contabilidade e finanças nos últimos dez anos. Essa relação inclui, entre outros, Cecília Sicupira, filha de Beto, e Jorge Felipe e Paulo Lemann, ex-conselheiros da Americanas e filhos de Jorge Paulo Lemann.
O BTG Pactual (BPAC11), por sua vez, também obteve uma vitória importante. Isso porque a 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro aceitou um recurso do banco e reconheceu que o pedido de compensação de R$ 1,2 bilhão foi feito pelo banco antes de a varejista entrar na Justiça com a ação preparatória para a recuperação judicial e que, assim, a decisão não poderia ter efeito retroativo. Como a varejista entrou com o pedido cautelar preparatório no dia 12 de janeiro, a compensação do BTG não está abarcada na decisão que restringe os direitos dos credores, visto que foi feita antes.
Lista de credores da Americanas (AMER3)
A nova lista de credores da Americanas, informada na última semana, traz um montante de dívidas com clientes de classe III, que representam as dívidas com terceiros, de R$ 42,290 bilhões, acima dos R$ 41,056 bilhões que constavam na primeira versão da lista, publicada em 25 de janeiro.
Na nova relação, a varejista revisou de R$ 3,2 bilhões para R$ 206,881 milhões a sua dívida com o BV. O banco havia pedido na Justiça a correção da lista de credores da Americanas, argumentando que a sua exposição à empresa era próxima de R$ 207 milhões.
A referida lista, agora atualizada, mostra que, ao todo, são 9.713 pessoas ou empresas a quem a varejista deve dinheiro. A dívida acumulada, segundo o documento, é em R$ 42,5 bilhões. O comunicado com a nova relação foi apresentado pela companhia em um fato relevante ao mercado.
O documento foi enviada à 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, a quem a empresa pediu recuperação judicial.
Houve um aumento de 1.746 credores na versão atual e, em termos jurídicos, credores são divididos em 5 categorias: classe 1 – créditos trabalhistas; classe 2 – créditos com garantia real; classe 3 – créditos quirografários; classe 4 – créditos quirografários de microempresas e empresas de pequeno porte; extraconcursais – adquiridos durante uma recuperação judicial.
Marketplace
Também na última semana o CEO interino, João Guerra, anunciou, em carta enviada aos funcionários, que segue com os repasses quinzenais aos vendedores e há um projeto piloto para pagamento semanal aos lojistas por vendas em sua plataforma.
Segundo ele, o repasse mais rápido deve melhorar as condições para o lojista e evitar uma migração de vendedores para outra plataforma no momento de crise da rede. Também elencou que salários, benefícios e direitos seguem como prioridade para a administração. “Tudo segue — e seguirá — exatamente como está contratado”, garantiu.
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