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Ações da Braskem tombam quase 10%; vem recuperação extrajudicial por aí?

Ações da Braskem tombam quase 10%; vem recuperação extrajudicial por aí?

Os papéis da empresa derretem 9,66%, sendo negociados a R$ 9,17, enquanto nos últimos cinco dias, os ativos desvalorizaram-se 11%

O mau resultado obtido no quarto trimestre de 2025, derruba as ações da Braskem (BRKM5), que recuam quase 10% no Ibovespa nesta sexta-feira (27), à medida que aumentam os temores de uma possível recuperação extrajudicial surgindo no horizonte da companhia.

Os papéis da empresa derretem 9,66%, sendo negociados a R$ 9,17, enquanto nos últimos cinco dias, os ativos desvalorizaram-se 11% – significando que a maior parte da queda semanal ocorre somente nesta sexta.

Apesar disso, nos últimos seis meses os ativos da empresa acumulam valorização de aproximadamente 38% e, de um ano para cá, a alta acumulada nos papéis é de quase 20%.

Informações do Broadcast dão conta de que uma possível recuperação extrajudicial da companhia no horizonte não é uma impossibilidade completa. Isso porque a empresa de auditoria KPMG, embora tenha aprovado o balanço da companhia sem ressalvas, apontou uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional da companhia”.

Esse mesmo cenário ocorreu com o GPA (PCAR3), que logo em seguida apresentou seu pedido de recuperação. O temor do mercado é que o mesmo possa ocorrer agora com a Braskem.

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Por conta disso, o banco Safra segue com avaliação cautelosa sobre a petroquímica, principalmente diante do cenário de spreads petroquímicos pressionados.

“Avanços recentes no arcabouço tributário do setor e possíveis efeitos positivos de tensões geopolíticas podem trazer algum alívio operacional, mas a alavancagem financeira continua elevada”, diz trecho do relatório.

O Safra destacou que a queima de caixa permaneceu, com consumo de US$ 140 milhões, ainda que inferior ao trimestre anterior, refletindo menores desembolsos com capex e pagamento de juros.

Com relação à alavancagem, o Safra avaliou que no consolidado da Braskem, a relação dívida líquida/Ebitda ficou em 14,7 vezes ao fim do quarto trimestre, estável frente ao terceiro trimestre, com o aumento da dívida bruta compensado por maior posição de caixa e avanço do Ebitda em base anual. A companhia também utilizou sua linha de crédito rotativo de US$ 1 bilhão no período.

Como foi o balanço

A Braskem encerrou o quarto trimestre de 2025 com um resultado que expõe, de forma clara, a gravidade do momento pelo qual atravessa a petroquímica global. Segundo o banco BTG Pactual (BPAC11), a companhia registrou consumo de caixa de US$ 206 milhões no período — quase o dobro do Ebitda recorrente de US$ 109 milhões gerado no mesmo intervalo.

Segundo o BTG, o cenário desfavorável não poupou nenhuma das operações da companhia. No Brasil, a redução na taxa de utilização das centrais petroquímicas — combinada à sazonalidade e à menor demanda por resinas e químicos — pesou sobre o desempenho doméstico. Nos Estados Unidos e na Europa, o quadro foi ainda mais severo: custos elevados e perda de competitividade levaram os dois segmentos a registrar Ebitda negativo no trimestre.

O resultado consolidado recuou na comparação com o trimestre anterior, pressionado justamente pelo enfraquecimento simultâneo em múltiplas regiões — algo que reduz a capacidade da companhia de compensar perdas pontuais com ganhos em outras geografias.

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