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Alta nos preços da madeira sustenta celulose de fibra curta

Alta nos preços da madeira sustenta celulose de fibra curta

O salto nos preços da madeira tem origem em interrupções de oferta na Indonésia, que levaram compradores chineses a intensificar importações do Vietnã

Os preços de cavacos de madeira importados pela China superaram os US$ 200 por tonelada em março de 2026, atingindo o maior patamar em meses e criando um piso relevante para os preços da celulose de fibra curta — o que beneficia diretamente produtores como Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11) e Arauco.

A avaliação é de um webinar realizado pela XP com Tom Wright, diretor da consultoria Hawkins Wright, após a Shanghai Pulp Week.

O salto nos preços da madeira tem origem em interrupções de oferta na Indonésia, que levaram compradores chineses a intensificar importações do Vietnã. O preço do cavaco vietnamita saiu de cerca de US$ 190 por tonelada em fevereiro para ultrapassar US$ 200 em março. No mercado doméstico chinês, o eucalipto de Guangxi também encareceu, chegando a US$ 180 por tonelada — alta de US$ 20 em relação a setembro de 2025 —, pressionado pela retomada da linha de celulose de Zhanjiang da Chenming e pelo aquecimento da demanda local por cavacos.

Encarecimento da madeira

Segundo o relatório, esse encarecimento da madeira sustenta a curva de custos da China e limita o espaço para quedas nos preços da celulose de fibra curta no curto prazo. A perspectiva contrasta com a situação da fibra longa, que enfrenta fundamentos muito mais difíceis: estoques elevados entre produtores e consumidores, fábricas operando no prejuízo há cerca de um ano e pressão adicional de custos decorrente de sobretaxas de frete ligadas ao conflito no Oriente Médio, que variam entre US$ 5 e US$ 30 por tonelada dependendo da rota.

A divergência entre os dois segmentos é um dos pontos centrais da análise. Embora o diferencial atual de preços entre fibra longa e fibra curta sugira eventual correção desta última, os analistas avaliam que eventuais fechamentos de capacidade de alto custo na celulose de fibra longa poderiam aproximar os spreads dos níveis históricos sem necessariamente derrubar os preços da fibra curta.

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Do lado da demanda da celulose, o quadro é menos animador. Os mercados downstream de papéis e cartões seguem fracos, e a sobrecapacidade crônica da indústria chinesa continua comprimindo margens de produtores regionais. Apesar das tarifas americanas, as exportações chinesas de papel cresceram em 2025 — apenas os embarques para os EUA recuaram, sendo compensados por volumes maiores para outras regiões.

O risco geopolítico completa o cenário de incerteza. A dependência asiática de rotas marítimas estratégicas e de combustíveis importados torna a região particularmente vulnerável a novas disrupções logísticas caso o conflito no Oriente Médio se prolongue.