A Coreia do Sul está no centro das atenções dos investidores globais em 2026, impulsionada por uma combinação de fatores macroeconômicos favoráveis, superávits comerciais robustos e um novo ciclo positivo para o setor de tecnologia.
Em relatório, o Bank of America (BofA) aponta que o país entra no ano com “ventos favoráveis poderosos”, sustentados principalmente pelo superciclo de chips de memória e pelo fortalecimento dos fluxos cambiais.
Na avaliação do banco, o cenário externo também contribui para essa tese construtiva, especialmente com a estabilização do iene japonês e a perspectiva de entradas passivas de capital, o que cria um ambiente mais sólido para a valorização do won coreano (KRW). Esse conjunto de fatores tem levado estrategistas globais a revisarem suas expectativas para a economia sul-coreana ao longo do ano.
Nesse contexto, cresce também o interesse de investidores internacionais — incluindo brasileiros — em buscar exposição direta ao mercado acionário da Coreia do Sul, seja por meio de ações globais ou veículos diversificados como ETFs focados no país.
Tese macro: chips, câmbio e política monetária sustentam o “bull coreano”
Segundo o BofA, o principal motor da economia sul-coreana em 2026 está ligado ao superciclo dos semicondutores, que vem elevando o valor e o volume das exportações do país e gerando superávits comerciais recordes. Esse movimento tem impacto direto na entrada de dólares na economia e no fortalecimento dos depósitos corporativos em moeda estrangeira.
“A Coreia entra em 2026 com fortes ventos favoráveis macroeconômicos, liderados por um superciclo de chips de memória que está gerando superávits comerciais recordes e aumento dos depósitos corporativos em moeda estrangeira. O Banco da Coreia adotou uma postura mais hawkish à medida que dados de crescimento mais fortes e a alta dos preços imobiliários reduzem o espaço para novos cortes de juros e sustentam a valorização do won”, afirmou o BofA.
Além do ciclo tecnológico, a política econômica também aparece como um pilar relevante. O banco central sul-coreano (BoK) tem sinalizado uma postura mais cautelosa em relação a cortes de juros, enquanto o governo vem adotando medidas para fortalecer a moeda local, incluindo mudanças na alocação de grandes fundos institucionais e programas de hedge cambial.
Outro ponto destacado pelo BofA é o impacto do cenário internacional. A estabilização do iene japonês após mudanças no ambiente político reduz pressões de desvalorização competitiva na região, criando um pano de fundo mais favorável para a apreciação do won ao longo de 2026.
“Essas dinâmicas, em conjunto, criam uma base sólida, com múltiplos pilares, para uma apreciação sustentada do won coreano em 2026, com riscos inclinados para um movimento ainda mais forte da moeda”, acrescenta o banco no relatório.
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ETF da BlackRock oferece exposição direta às gigantes da economia sul-coreana
Para o investidor que se interessar pela tese estrutural da Coreia do Sul, uma das formas mais diretas de capturar esse movimento é por meio de ETFs com exposição ao mercado acionário do país, como o iShares MSCI South Korea ETF (EWY), da BlackRock.
O fundo tem como objetivo acompanhar o desempenho de um índice composto por ações de empresas sul-coreanas de grande e média capitalização, funcionando como um veículo de exposição geográfica direcionada à economia do país. Na prática, isso permite ao investidor acessar, em um único ativo, algumas das maiores companhias listadas da Coreia.
Dados mais recentes indicam que o ETF possui patrimônio líquido de cerca de US$ 15,4 bilhões e está listado na NYSE Arca, com uma carteira composta por dezenas de ativos do mercado local. O desempenho também chama atenção: o retorno total do NAV no acumulado do ano (YTD) alcançava 42,22% até fevereiro de 2026, refletindo o forte momento do mercado sul-coreano.
A composição do portfólio revela, porém, uma característica importante para o investidor: elevada concentração no setor de tecnologia. Empresas como Samsung Electronics e SK Hynix figuram entre as maiores posições do fundo, com pesos relevantes na carteira Texto colado.
Como resultado, o ETF acaba capturando não apenas a dinâmica da economia coreana, mas também, de forma significativa, o ciclo global de semicondutores.






